Doutrina da Igreja Ortodoxa

A Igreja Ortodoxa do princípio até nossos dias manteve uma integridade de fé e amor com a comunidade apostólica fundada por Cristo e assistida pelo Espírito Santo. A Ortodoxia está convicta de que tem preservado e ensinado a Fé Cristã livre de erro e distorção, desde a era dos Apóstolos. Ela também acredita que nada há no corpo de sua doutrina que seja contrário à verdade ou que prejudique a real união com Deus. O caráter de antiguidade e de ultrapassado que muitas vezes caracteriza o Cristianismo Oriental é uma expressão de seu desejo de permanecer leal à autêntica Fé Cristã.

A Ortodoxia considera inseparáveis a Fé Cristã e a Igreja. É impossível conhecer Cristo, tomar parte na vida da Santíssima Trindade, ou ser considerado um Cristão fora da Igreja. É na Igreja que a Fé Cristã é anunciada e preservada. É por intermédio da Igreja que um indivíduo é alimentado na Fé.

Revelação

Deus é a fonte da fé na Igreja Ortodoxa. A Ortodoxia considera que Deus revelou-se a Si próprio para nós, mais particularmente na revelação de Jesus Cristo, o qual nós o conhecemos como o Filho de Deus. Esta Revelação de Deus, Seu amor e Seu desígnio, são constantemente tornados manifestos e atuais na vida da Igreja pelo poder do Espírito Santo.

Fé Ortodoxa não dá origem a especulações religiosas puramente humanas nem às assim chamadas "provas" da existência de Deus, nem à procura humana pelo Divino. A origem da Fé Cristã Ortodoxa é a própria Revelação de Deus. Cada dia a Prece Matinal da Igreja proclama e nos recorda disto declarando: "Deus é o Senhor e Ele Se revelou para nós." Enquanto o Ser íntimo de Deus permanece sempre desconhecido e inacessível, Deus manifestou-se a Si próprio para nós; e a Igreja O tem reconhecido como Pai, Filho e Espírito Santo. A Doutrina da Santíssima Trindade, que é central para a Fé Ortodoxa, não é um resultado de especulações piedosas, mas a suprema experiência de Deus. A doutrina proclama que há apenas um Único Deus no qual há três Pessoas distintas. Em outras palavras, quando nós encontramos ou o Pai, ou o Filho, ou o Espírito Santo, nós estamos verdadeiramente experimentando contato com Deus. Enquanto a Santíssima Trindade é um mistério que nunca poderá ser completamente entendido, a Ortodoxia compreende que nós podemos participar verdadeiramente da Trindade através da vida da Igreja, especialmente através de nossa celebração da Eucaristia e os Sacramentos, tanto quanto dos serviços não sacramentais.

Encarnação de Jesus Cristo

Juntamente com a crença na Santíssima Trindade, a doutrina da Encarnação ocupa uma posição central nos ensinamentos da Igreja Ortodoxa. Conforme a Fé Ortodoxa, Jesus é muito mais que um homem santo ou um mestre proficiente de moralidade. Ele é o "Filho de Deus que tornou-se o Filho do Homem." A doutrina da Encarnação é uma expressão da experiência de Cristo da Igreja. N'Ele, a divindade está unida à humanidade, sem a destruição de nenhuma dessas realidades. Jesus Cristo é verdadeiramente Deus que tem em comum a mesma realidade igualmente com o Pai e o Espírito. Além do mais, Ele é verdadeiramente homem que compartilha com todos nós do que é humano. A Igreja acredita que, como o único Deus-homem, Jesus Cristo recolocou a humanidade em comunhão com Deus.

Pela manifestação da Santíssima Trindade, pelo ensinamento do significado da autêntica vida humana, e pela vitória sobre os poderes do pecado e da morte através de Sua Ressurreição, Cristo é a expressão suprema do amor de Deus o Pai, por Seu povo, tornado presente em cada época e em cada lugar pelo Espírito Santo através da vida da Igreja. Os grandes Padres da Igreja resumiram o ministério de Cristo nesta clara afirmação: "Deus tornou-se o que nós somos de tal maneira que nós podemos nos tornar o que Ele é."

As Escrituras

As Sagradas Escrituras são altamente respeitadas pela Igreja Ortodoxa. Sua importância é expressa pelo fato de que uma parte da Bíblia é lida em cada serviço de Louvor. A Igreja Ortodoxa, que se reconhece a si própria como a guardiã e intérprete das Escrituras, considera que os livros da Bíblia são um testemunho precioso da revelação de Deus. O Antigo Testamento é uma coleção de quarenta e nove livros de vários estilos literários que expressam a revelação de Deus aos antigos israelitas. A Igreja Ortodoxa considera que o Antigo Testamento é uma preparação para a vinda de Cristo e acredita que deveria ser lido à luz de Sua revelação.

O Novo Testamento está focalizado na pessoa e obra de Jesus Cristo e na plenitude do Espírito Santo na Igreja primitiva. Os quatro Evangelhos são um relato da vida e ensinamento de Cristo, centralizados em Sua Morte e Ressurreição. As vinte e uma epístolas e os Atos dos Apóstolos são dedicados à vida cristã e ao desenvolvimento da Igreja primitiva. O Livro da Revelação é um texto altamente simbólico que prevê a volta do Cristo. O Novo Testamento, especialmente os Evangelhos, é muito importante para a Ortodoxia porque ali se encontra um testemunho escrito da revelação perfeita de Deus na Encarnação do Filho de Deus, na pessoa de Jesus Cristo.

Tradição

Embora a Bíblia seja muito preciosa como um inestimável registro escrito da Revelação de Deus, ela não contém aquela revelação em sua totalidade. A Bíblia é considerada unicamente como uma expressão da revelação de Deus na vida em marcha de Seu povo. A Escritura faz parte do tesouro da Fé que é conhecido como Tradição. Tradição significa aquilo que é "transmitido" de uma geração a outra. Além do testemunho da Fé na Escritura, a Fé Cristã Ortodoxa é celebrada na Eucaristia, ensinada pelos Padres, glorificada pelos Santos, expressa em orações, hinos e ícones; preservada pelos sete Concílios Ecumênicos; contida no Credo Niceno, manifestada em preocupação social; e, pelo poder do Espírito Santo, subsiste em cada paróquia ortodoxa local. A vida da Santíssima Trindade é manifestada em cada aspecto da vida da Igreja. Finalmente, a Igreja, como um todo, é a guardiã da Fé Cristã autêntica, a qual dá testemunho daquela Revelação.

Concílios e Credo

Como a Ortodoxia tem evitado qualquer tendência de restringir a visão da Revelação de Deus a apenas um aspecto de sua vida, também a Igreja tem evitado a definição sistemática ou extensiva de sua Fé. A Ortodoxia afirma que a Fé Cristã expressa e sinaliza para o benevolente e misterioso relacionamento entre Deus e a humanidade. Deus tornou-se homem na pessoa de Jesus Cristo não para instituir uma nova filosofia ou código de conduta, mas principalmente para nos conceder "vida nova" na Santíssima Trindade. Esta Verdade, que é manifesta na Igreja, não pode ser apreendida totalmente em linguagem, fórmulas ou definições. A essência da Fé não é oposta à razão, mas frequentemente está além dos limites da razão, assim como estão muitas das realidades importantes da vida. A Ortodoxia reconhece o Poder Supremo de Deus, bem como as limitações da mente humana. A Igreja está feliz em aceitar o elemento de mistério em seu caminho para Deus.

Somente quando as verdades fundamentais da Fé são seriamente colocadas em perigo pelas falsas doutrinas é que a Igreja age para definir dogmaticamente um artigo de fé. Por esta razão, as decisões dos sete Concílios Ecumênicos da antiga Igreja indivisa são consideravelmente respeitados. Os Concílios foram sínodos a que os bispos de todo o mundo Cristão reuniram-se para determinar a fé verdadeira. Os Concílios Ecumênicos não criaram novas doutrinas mas proclamaram, em um lugar determinado e num tempo determinado, o que a Igreja sempre acreditou e ensinou.

O Credo Niceno, que foi formulado nos Concílios de Nicéia, em 325 e de Constantinopla em 381, foi reconhecido desde então como a expressão oficial das doutrinas fundamentais da Igreja Ortodoxa. O Credo é muitas vezes apresentado como o "Símbolo da Fé." Esta descrição indica que o Credo não é uma declaração analítica, mas que sinaliza para uma realidade maior que si própria e à qual dá testemunho. Para gerações o Credo tem sido o critério de Fé autêntico e a base da educação Cristã. O Credo é recitado na hora do Batismo e durante cada Divina Liturgia.

O Credo

    • Creio em Um só Deus, Pai Onipotente, Criador do céu e da terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis.
    • E em Um só Senhor, Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos.
    • Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial com o Pai, através de quem foram feitas todas as coisas.
    • Por nós e por nossa salvação Ele desceu do céu e encarnou-se pelo Espírito Santo e a Virgem Maria e tornou-se Homem.
    • Foi crucificado por nós sob Pôncio Pilatos, e padeceu e foi sepultado.
    • Ao terceiro dia ressuscitou conforme as Escrituras.
    • Ascendeu ao céu e está sentado à direita do Pai.
    • Virá novamente com glória julgar os vivos e os mortos. Seu reino não terá fim.
    • E no Espírito Santo, o Senhor, Vivificador, que procede do Pai, que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, que falou pelos profetas.
    • Na Igreja una, santa, católica e apostólica.
    • Confesso um só batismo para o perdão dos pecados.
    • E aguardo a ressurreição da morte; e a vida do tempo futuro. Amém.

O que é a Ortodoxia (palavra grega que significa Doutrina Reta)?

É a autêntica Religião Cristã, pregada no Oriente por Nosso Senhor Jesus Cristo, transmitida pelos Apóstolos e seus sucessores e conservada e ensinada pela Igreja Ortodoxa, através dos séculos, em toda a sua autêntica pureza. É a doutrina reta, contida na Sagrada Escritura, sem aumentar, nem diminuir nada, na Tradição e nos 7 primeiros Concílios Ecumênicos. É a Doutrina ensinada e pregada pela Igreja Ortodoxa para glorificar a Deus e salvar as almas, segundo a Vontade de Jesus Cristo. É Ortodoxo quem segue a Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo e os ensinamentos da Igreja Ortodoxa, mais exatamente, é aquele que segue a reta Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta Doutrina e Religião ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo, difundida e propagada pela Igreja Ortodoxa chama-se "A Ortodoxia."

Quem fundou a Igreja Ortodoxa?

A Igreja Ortodoxa foi fundada unicamente por Nosso Senhor Jesus Cristo, sobre os doze Apóstolos, na cidade de Jerusalém, quando o Espírito Santo, prometido, desceu em forma de línguas de fogo sobre os Apóstolos, no cenáculo, no dia de Pentecostes. E estavam lá a Virgem Maria, os Apóstolos e discípulos reunidos (Atos 1:13-15). Esta foi a primeira Comunidade Cristã ou de crentes em Nosso Senhor Jesus Cristo. A primeira Igreja divina e sobrenatural instituída para salvação dos homens. Cristo permanece com sua Igreja até a consumação dos séculos. Ele é o seu único cabeça e chefe. Existe só uma autoridade suprema: Jesus Cristo, seu fundador, verdadeiro Homem. Desde Jerusalém, o Evangelho foi propagado pelos Apóstolos, nos países vizinhos. E foi em Antioquia que os seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo foram chamados, pela primeira vez, Cristãos (Atos 11:26).

Como se organizou

a Igreja Ortodoxa?

Santo Inácio de Antioquia (séc. I D.C). é o primeiro autor cristão a enumerar os bispos, presbíteros e diáconos como três graus do ministério cristão, essa hierarquia fixou-se na tradição da Igreja na sua organização. De fato, os ortodoxos atribuem a autoridade máxima ao colégio dos bispos, concedendo um destaque aos Patriarcas como guardião especial das fontes de verdade da Igreja.

A Igreja Ortodoxa possui a autêntica Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, tal como saiu dos seus lábios e foi pregada pelos Apóstolos no primeiro século da era cristã, pratica seus mandamentos e vive a vida da graça, que nos deixou nos sacramentos, após sua morte e Ressurreição e os ensinamentos dos 7 primeiros concílios, para que alcancemos a vida eterna. A Igreja é a depositária da Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo e a continuadora da obra da Salvação, do amor e da conquista da vida eterna, por toda a terra. Deus prometeu à Igreja a assistência do Divino Espírito Santo, não cair e não ensinar o êrro e "Eu permanecerei convosco até os confins dos séculos."

A administração dos fiéis cristãos era exercida pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos e em cada região há uma autoridade maior, chamada Patriarca. O mundo cristão, nos primórdios do cristianismo tinha cinco Patriarcados (a Pentarquia). Em ordem cronológica: Patriarcado de Jerusalém, Patriarcado de Antioquia, Patriarcado de Alexandria, Patriarcado de Constantinopla e Patriarcado de Roma; todos eles tinham iguais direitos e eram independentes na administração; ao Patriarcado de Roma foi dado o título de "Primus inter pares," por ser Roma, na época, a capital do império (conf. 1.o Concílio Ecumênico, art. 36), ficando assim, na ordem hierárquica: os Patriarcados de Roma, da Nova Roma - Constantinopla, de Antioquia, de Alexandria e de Jerusalém; mas, a mais alta autoridade da Igreja Cristã, ainda era o Concílio Ecumênico, cujas decisões são obrigatórias para todas as Igrejas Cristãs.

Onde está expressa

claramente a Doutrina Cristã?

As bases da verdadeira doutrina cristão foram assentadas no Primeiro Concílio Ecumênico, convocado por Constantino, o Grande Imperador de Constantinopla e de todo o Oriente, na cidade de Nicéia, no ano de 325. Os 318 Santos Padres compuseram o "Credo ou símbolo da Fé, que em pequenas palavras, expressa claramente nossa crença e doutrina cristã. Este Credo foi completado em seus últimos artigos no Concílio Ecumênico de Constantinopla (ano 381) e por isso se chama Credo ou Símbolo da Fé Niceno-Constantinopolitano. O triunfo do Cristianismo se produziu três séculos depois da morte de Jesus Cristo, com a paz decretada por Constantino, Imperador de Roma. Até então o Cristianismo vivia nas catacumbas, às escondidas e sem prestígio da verdadeira liberdade de celebrar todos os seus atos religiosos e aprendiam a conhecer a Cristo (Livro dos Atos dos Apóstolos). Mais tarde, foram convocados outros Concílios Ecumênicos (sete) reafirmando neles os verdadeiros dogmas cristãos.

Onde se encontram as fontes

da Doutrina Ortodoxa?

As fontes de onde extraímos a nossa Fé Ortodoxa são duas: a Sagrada Escritura e Santa Tradição. A revelação dada por Deus ao homem sobre o que deve crer e praticar para agradar a Deus e conseguir sua salvação eterna se acham unicamente nestas duas fontes. A única que interpreta e ensina esta Revelação é a Igreja, pois, assim estabeleceu Nosso Senhor Jesus Cristo e, é uma prova de segurança de que estamos na Verdade, pois Jesus Cristo prometeu sua assistência a seus Apóstolos e a sua Igreja. A Bíblia é a Palavra de Deus revelada aos homens por meio dos patriarcas, profetas (V.T). e apóstolos (N.T.), ou os escritos do Antigo e Novo Testamento.

Podemos resumir o que foi dito?

A Igreja Ortodoxa viu a Luz lá na Palestina, com Jesus Cristo, expandiu-se com os Apóstolos e cimentou-se sobre o sangue dos mártires. A Igreja Ortodoxa não morre, porque descansa sobre Jesus Cristo e tem a promessa de que existirá até os confins dos séculos. Em vão seus inimigos e todos os impiedosos trataram de destruí-la, de negá-la ou de perseguí-la. A Igreja Ortodoxa, à semelhança de seu Divino Mestre e fundador Jesus Cristo, desde seu nascimento mesmo, no ano 33 d.C. padeceu e sofreu terríveis perseguições sob o Império Romano, passando pelos otomanos e até nossos dias sofre a mais violenta das perseguições daqueles que se omitem em querer conhecê-la. O Sangue de infinidade de mártires havia selado e provado ao mundo a sublimidade de seu amor e perfeição e a verdade de sua Doutrina Divina. Apesar de tudo, sempre subsistiu e triunfou. Ela vive e viverá eternamente em Cristo e seguirá confiante em suas palavras: "Eu estarei no meio de vós até a consumação dos séculos. As portas do inferno não prevalecerão contra Ela."

Onde se encontra manifesta:

A Sagrada Escritura?

 

A Tradição Apostólica?

A Tradição, encontramo-la manifestada em:

1.o - Os sete Concílios Ecumênicos; 2.o - Os Santos Padres e Escritores Cristãos; 3.o - Símbolo dos Apóstolos; 4.o - Símbolo Niceno-Constantinopolitano; 5.o - As Liturgias da Igreja; 6.o - O Magistério Permanente da Igreja; 7.o - A Legislação Eclesiástica.

A Ortodoxia é a Igreja de Cristo sobre a terra. A Igreja de Cristo não é só uma instituição, mas uma vida nova com Cristo e em Cristo dirigida pelo Espírito Santo.

Quem são os Santos Padres?

Desde os primeiros séculos do Cristianismo houve grandes pensadores que puseram sua inteligência a serviço de Cristo e sua doutrina. Tais personagens vazaram sua ciência e profundos conhecimentos em escritos, onde explicavam a nova Fé e a defendiam dos ataques de seus inimigos e hereges. Sempre na Igreja de Jesus Cristo, houve hereges e heresias: Docetas, Gnósticos, Arianos, Eutiquianos, Monotelistas, Maniqueus, Iconoclastas,... que a Igreja condenou, em vários Concílios, estabelecendo a verdadeira Fé. Entre os principais escritores e expositores do cristianismo primitivo temos dois grupos: os Padres Apostólicos, sucessores imediatos dos Apóstolos e os Grandes escritores: a Didaquê, o Pastor de Hermas, Santo Inácio, São Policarpo, Papias, etc, e os Santos Padres, que defenderam e sistematizaram a verdadeira doutrina da Igreja Ortodoxa, como: São Basílio, o Grande, São João Crisóstomo, São Cirilo de Alexandria, São Cirilo de Jerusalém, São Gregório Nazianzeno, São Gregório de Nissa, Orígenes e Santo Éfrem, o Siríaco, o historiador Eusébio, São João Damasceno, que foi o primeiro a compendiar de modo sistemático toda a Teologia Ortodoxa; no Ocidente encontramos os seguintes Santos Padres: Santo Agostinho de Hipona, São Jerônimo, Santo Ambrósio, Santo Hilário de Poitiers, São Gregório Magno, São Leão Magno, etc. O período desta era patrística cristã abrange desde o ano 100 até o ano 900 d.C.. A Igreja tem grande veneração por esses sábios, tanto por sua santidade como por sua ciência, constituindo-os testemunhos verídicos e inquestionáveis do primitivo cristianismo, junto com os Concílios, a principal fonte da Tradição Divina e Apostólica.

O que quer dizer: a Igreja é uma

vida misteriosa em Cristo?

A Ortodoxia é a Igreja de Cristo sobre a terra, é uma nova vida com Cristo e em Cristo, dirigida pelo Espírito Santo. A luz da ressurreição de Cristo reina sobre a Igreja e a alegria da ressurreição, do triunfo sobre a morte, compenetra-se n'Ela. O Senhor ressuscitado vive conosco e nossa vida na Igreja é uma vida misteriosa em Cristo. Os "Cristãos" levam este nome precisamente porque eles são de Cristo; eles vivem em Cristo e Cristo vive neles. A encarnação não é unicamente uma idéia ou uma doutrina; é antes de tudo um fato que se produziu uma vez no tempo, mas que possue toda a força da eternidade. E esta Encarnação perpetua, sem confusão, as duas naturezas: a natureza Divina e a natureza humana, que forma a Igreja.

O que quer dizer: a Igreja é

o Corpo Místico de Cristo?

A Igreja é o Corpo Místico de Cristo, enquanto unidade de vida com Ele. Expressa-se a mesma idéia quando se dá à Igreja o nome de Esposa de Cristo ou Esposa do Verbo. A Igreja, enquanto Corpo de Cristo não é Cristo-Deus-homem, pois Ela não é mais que sua humanidade; mas é a vida em Cristo e com Cristo, a vida de Cristo em nós: "Não sou mais eu quem vive, é Cristo que vive em mim" (Gl 2,20). A Igreja, em sua qualidade de Corpo de Cristo, que vive da vida de Cristo, é por Ele mesmo o domínio, onde está presente e onde opera o Divino Espírito Santo, porque Ela é o Corpo de Cristo. Eis aqui, porque se pode definir a Igreja como uma vida bendita no Espírito Santo: diz-se algumas vezes também, que Ela é o Espírito Santo, que vive na humanidade. A Igreja é a obra da Encarnação do Verbo, Ela é Encarnação: Deus se assimila à natureza humana se assimila à natureza divina. É a deificação (Zeosis) da natureza humana, consequência da união de duas naturezas em Cristo. Então, a Igreja é o Corpo de Cristo: pela Igreja nós participamos da vida divina da Santíssima Trindade. Ela é a vida em Cristo, logo, a Igreja é o Corpo de Cristo, que permanece indissoluvelmente unida à Santíssima Trindade.

O que quer dizer: a Igreja existe em nós?

A Igreja é uma experiência de vida. "Vinde e vede": não se concebe a Igreja só como instituição a que pertencem os batizados, mas uma experiência de vida onde os batizados encontram com o Pai, onde os cristãos vêm glorificar, render graças e pedir a ajuda deste Pai carinhoso pronto a ajudar os filhos. A essência da Igreja é a vida divina, revelando-se na vida das criaturas. A Igreja pela Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo e pela força do Espírito Santo em Pentecostes, transmite a vida espiritual, escondida no "homem secreto," na "câmara interior" do seu coração.

A Igreja é um mistério e um Sacramento?

A vida da Igreja é a vida da fé, pela qual as coisas deste mundo se tornam transparentes, existe por sobre a natureza, é compatível com a idéia deste mundo, fazendo dela um objeto de fé. "Eu creio na Santa Igreja Católica e Apostólica." O homem por ela se torna universal, sua vida em Deus se une à vida de toda a criação, escortina-se para o amor cósmico. Esta Igreja, que une não somente os vivos, mas, também os mortos, as hierarquias dos anjos do mundo e do homem. Ela se perde na eternidade - Eu estarei convosco até os confins dos séculos. Certamente a Igreja não alcança a plenitude de sua existência a não ser depois da Encarnação do Verbo, mas foi concebida pelo Verbo e foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. A vida indivisível da Igreja, a vida da fé, está indissoluvelmente unida às formas terrestres. Ela tem um começo na história e estabeleceu a "Nova Aliança" entre Deus e os homens (Arc. Sergio Boulgakoff - L'Ortodoxie - Cap. 1 Sous le titre "L'Église). Por isso, tem o poder de proclamar a Verdade. Os Concílios são, antes de tudo, a expressão tangível do espírito de "conciliaridade," e a realização da Igreja, de sua verdade. Não é necessário considerar um Concílio como uma instituição toda exterior, que proclama por via de autoridade uma lei divina ou eclesiástica, uma verdade por outra parte inacessível aos membros isolados da Igreja. É necessário recordar sempre que o Concílio, seja ou não ecumênico, não mais que um órgão exterior, estabelecido para a proclamação infalível da verdade e instituído para ele. Este princípio nos levaria a concluir que a Igreja, antes dos Concílios e sem Concílios, é "Católica e infalível." Ela subordinaria a um ato externo, tal qual assembléia eclesiástica, à ação do Espírito Santo. Só a Igreja pode dar testemunho da verdade e conhecê-la em sua "Conciliaridade," em sua identidade em si mesma. A quem pertence o poder de proclamar a verdade doutrinal? Ao poder eclesiástico, combinado entre os irmãos do episcopado. Mas esta proclamação, o órgão do poder eclesiástico não se torna por si mesmo o possuidor da infalibilidade. Este não pertence mais que à Igreja em sua ecumenicidade. O poder eclesiástico (Concílio dos Bispos) é o órgão legal da proclamação da verdade e que é a consciência mesma da Igreja, expressão da verdade. Ele, o Concílio se torna de alguma maneira de um todo, em prol de todos (Sergio Boulgakoff, cap. III, La Hierarchie Eclesiastique - L'Orthodoxie).

Como sabemos das resoluções

da Igreja Católica Ortodoxa?

Para responder a essa pergunta devemos reunir as seguintes fontes de informações:

- As Sagradas Escrituras; - O Direito Apostólico (Nomocanon: Regras da lei); - As disposições e artigos dos Concílios Ecumênicos; - As disposições eclesiásticas permanentes.

A Igreja Ortodoxa, para sua reta organização e administração, possui seu Direito Canônico Ortodoxo, chamado Nomocanon, órgão que regula seu funcionamento. O Direito Canônico: "ensinai aos homens a observar tudo aquilo que Eu os vos tenho ensinado" (Mt 28:20). É por sua divina constituição que a Igreja, como guardiã da Lei Divina, tem o direito de estabelecer cânones (canon Regra), de julgar e se necessário de julgar e de aplicar sanções: "Quem vos escuta, a Mim escuta; quem vos despreza, a Mim despreza" (Lc 10:16). Desde suas origens, a Igreja tem consciência de sua responsabilidade e de sua ordem histórica: o Concílio de Jerusalém regulou as questões relativas aos cristãos de origem judaica (At 15:22). São Paulo se refere às questões das assembléias, às qualidades requeridas pelos bispos, ao uso dos carismas. Durante os três primeiros séculos, a Igreja empregou o direito de resolver as questões eclesiásticas e esse costume se encontra na Didaquê (fim do séc. 1.o e princípio do século 2.o), a tradição apostólica de Hipólito (princípio do séc. 3.o), a Didascália dos Apóstolos (até o ano 250), as constituições Apostólicas (até 380).

O que temos ainda

como História da Igreja?

Com o Século IV, a Igreja entra no tempo dos Concílios regulares. Muitas coleções nos dão os históricos dos Cânones (por exemplo a Coleção de João, o Escolástico, no ano 550). A harmonia dos poderes da Igreja e do Império, explica a presença do Direito Eclesiástico, nas coleções jurídicas do Império de Teodósio ou de Justiniano (Digesto Novas, etc.). Mais tarde, apareceram os trabalhos dos canonistas Balsamon, Zonares, etc.. A Ortodoxia não possui um código unificado, mas tem códigos locais que remontam à Idade Média. Na Igreja Ortodoxa a autoridade máxima se constitue no Concílio Ecumênico, cujas decisões abrangem toda a Igreja de Cristo. A infalibilidade se acha na Igreja inteira, representada na reunião de todos os bispos em concílio. Historicamente, o período dos Concílios Ecumênicos representa para os ortodoxos um período "normativo." A Igreja Ortodoxa reconhece sete Concílios Ecumênicos:

Concílio

Ano d.C.

Doutrina

1.o - Nicéia

325

Divindade de Jesus Cristo. Condenação de Ários

2.o - Constantinopla I

381

Divindade do Espírito Santo. Condenação de Macedônio

3.o - Éfeso

431

Maternidade Divina de Maria. Condenação de Nestório. Em Cristo uma Hipóstase, a Divina.

4.o - Calcedônia

451

Dualidade da natureza em Jesus Cristo: Condenação de Eutiques, que ensinava o monofisismo.

5.o - Constantinopla II

553

Condenou as obras escritas pelos seguidores do herege Nestório.

6.o - Constantinopla III

680

Dualidade de Vontades em Jesus Cristo, não contrariadas uma pela outra, mas a vontade humana sujeita à vontade Divina. Condenação do Monotelatismo.

7.o - Nicéia II

787

Condenação do Iconoclasmo.

No 7.o Concílio Ecumênico, o de Nicéia II (787), defeniu-se a doutrina Ortodoxa das imagens (Ícones).

Por que se empresta tanto

valor ao Concílio Ecumênico?

O Concílio local é uma reunião de pastores e doutores da Igreja, mas não de todo mundo cristão. O valor Concílio Ecumênico é universal. Os Santos Apóstolos deram o primeiro exemplo destas reuniões, comparecendo ao primeiro Concílio Apostólico em Jerusalém, presidido por São Tiago Apóstolo. A Igreja é uma reunião de crentes unidos na comunhão da fé Ortodoxa, na Legislação Divina, na sagrada instituição do Sacerdócio e nos Sagrados Sacramentos. Temos a certeza de que Nosso Senhor Jesus Cristo é o único cabeça da Igreja, porque assim nos ensina São Paulo.: "Porque ninguém pode por outro fundamento, fora aquele que já está posto, o qual é Jesus Cristo" (I Cor 3:11).

E a Ortodoxia hoje?

A Igreja Ortodoxa é Una, porque é um só corpo espiritual, tem um só cabeça, Jesus Cristo, está animada por um só Espírito de Deus. A unidade se expressa na mesma fé, na Comunhão, nas orações e nos Sacramentos. É Santa como sua base: Nosso Senhor Jesus Cristo, e porque nela mora o Espírito Santo, que a santifica, e porque frutos santos. É Católica, Universal ou Ecumênica: abrange a todos os fiéis, de todos os lugares, de todos os povos ou regiões. Está aberta para todo aquele que deseja se unir a Ela (Mt 28:18-12). É Apostólica, porque conserva sem interrupção a doutrina de Jesus Cristo, e dos Dons do Espírito Santo, desde os tempos dos Apóstolos. Hoje a Igreja Ortodoxa renasceu, com novos impulsos, dando as nações da terra. A pentarquia ainda se constitue dos Patriarcados de Jerusalém, Alexandria, Antioquia e Constantinopla...

Concluindo... por que Sou Ortodoxo?

Sou Ortodoxo porque pertenço à sociedade de fiéis Cristãos unidos pela Fé Ortodoxa e vivem conforme aquilo que Ela ensina, obedece aos seus Pastores em tudo o que acontece à Glória de Deus e à Salvação da alma. Sou Ortodoxo porque vivo e pratico a fé e a virtude na Igreja. Considero-me membro dela, por meio do Santo Batismo; assisto às Igrejas Ortodoxas, a seus cultos e sacerdotes; acerco-me dos Santos Sacramentos; escuto a Voz de Deus através de seus Vigários; trato de viver da Graça que se derrama continuamente sobre todos os seus filhos. Sou Ortodoxo, porque amo ao verdadeiro Deus, a Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, e ao Divino Espírito Santo; amo e procuro seguir sua Doutrina, seguindo assim o que ensina e prega a Santa Igreja Católica Apostólica Ortodoxa. Sou Ortodoxo porque creio exatamente no que os Apóstolos ensinaram. Sou Ortodoxo porque creio nas verdades que a Ortodoxia ensina e se acham contidas no Credo Niceno-Constantinopolitano, onde se afirma:

    • Creio em Um só Deus, Pai Onipotente, Criador do Céu e da terra, de tudo o que visível e invisível;
    • E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus Verdadeiro, gerado e não criado, Consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas;
    • Que desceu dos Céus por causa de nós homens, e para a nossa salvação; e encarnou-se pelo Espírito Santo, na Virgem Maria e se fez homem;
    • E foi crucificado por nossa causa, sob o poder de Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado.
    • E ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
    • E subiu aos céus e sentou-se à direita do Pai.
    • E novamente virá com glória, para julgar os vivos e os mortos e cujo Reino não terá fim.
    • E no Espírito Santo, Senhor Vivificante, que do Pai procede e que é com o Pai e o Filho adorado e glorificado, e que falou pelos profetas;
    • E em Uma Igreja, Santa, Católica e Apostólica;
    • Confesso, também, um só Batismo para remisão dos pecados;
    • E espero a ressurreição dos mortos;
    • E a vida do século futuro. AMÉM.

Os

Evangelhos

Introdução

A palavra Evangelho significa boa nova ou boa mensagem. Este termo designa os quatro primeiros livros do Novo Testamento que relatam a vida e os ensinamentos do encarnado Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo - tudo o que fez para estabelecer uma vida reta e justa na terra e para salvar a humanidade pecadora.

Antes da vinda de Cristo os homens entendiam Deus como o Criador Todo Poderoso e implacável Juiz na Sua morada em inatingível glória. Jesus Cristo nos abriu um novo entendimento sobre Deus, o Deus próximo a nós, misericordioso e Pai que nos ama. Jesus Cristo disse a seus contemporâneos: "quem me vê, vê também o Pai" De fato, a imagem de Jesus Cristo, cada aspecto particular, cada palavra e gesto estavam impregnados de infinita compaixão. Ele era o Médico para os doentes. As pessoas sentiam o Seu amor e eram atraidas por Ele e seguiam-no aos milhares. Nunca ninguém soube de alguma recusa. Cristo atendia a todos. Purificava as almas dos pecadores, curava os doentes e cegos, confortava os desesperados e libertava os possuidos pelos demonios. E, ao mesmo tempo, à sua ordem todos se subjugavam, a natureza e até a própria morte.

Através deste livreto mostraremos ao leitor em que circunstâncias os evangelhos foram escritos e apresentaremos ensinamentos selecionados do nosso Redentor. É de nosso desejo que o leitor venha a se aprofundar na vida e nos ensinamentos do Salvador, pois, quanto maior é nossa experiência espiritual à medida que passamos a ler mais os evangelhos mais forte se torna nossa fé e mais claramente passamos a entender o sentido da nossa vida terrena. Também, quanto maior é nossa experiência espiritual, mais evidente se torna a nossa proximidade com o Salvador. Êle verdadeiramente passa a ser o nosso Bom Pastor que nos orienta para o caminho da salvação.

Nos dias de hoje principalmente, quando tantas opiniões contraditórias e infundadas aparecem, seria mais sábio que fizéssemos dos evangelhos o nosso livro de referência. Pois, enquanto todos os livros que lemos contêm opinião de homens comuns os evangelhos revelam-nos as palavras eternas do Senhor.

História dos

textos do Evangelho

Todos os livros Sagrados do Novo Testamento foram escritos na língua grega, mais especificamente, no popular dialeto alexandrino chamado kini, que era a língua mais falada ou pelo menos compreendida pelos homens cultos de todas as localidades do Oriente e do Ocidente do Império Romano. Esse era o idioma de todos os homens instruidos daquela época. Por essa razão os Evangelistas usaram o grego e não o hebreu para escrever os Evangelhos, a fim de torná-lo acessível a um maior número de pessoas.

Naquele tempo a escrita usava somente as letras maiusculas do alfabeto grego,não usava nenhuma pontuação e não separava as palavras. As minúsculas e o espaçamento entre palavras passaram a ser usadas somente no século IX. A pontuação veio somente com o aparecimento da imprensa no século XV. A separação dos capítulos foi introduzida no ocidente pelo Cardeal Hugo no século XIII e a separação em versiculos foi feita pelo tipógrafo parisiense Roberto Stefen no século XVI.

Através de seus sábios bispos e presbíteros a Igreja sempre zelava pela preservação dos textos sagrados na sua pureza original, principalmente antes do aparecimento da imprensa, tempo em que os textos eram copiados manualmente, onde erros poderiam se infiltrar em novas cópias. É sabido que alguns estudiosos cristãos do século II e III, como Orígenes, Esequias - bispo do Egito e Luciano, presbítero de Antióquia trabalharam com muito empenho nos aditamentos aos textos bíblicos. Com a invenção da imprensa foi dada uma especial atenção à reprodução dos Livros Sagrados do Novo Testamento, para assegurar que fossem copiados dos manuscritos mais antigos e confiáveis. Durante o primeiro quarto do século XVI apareceram duas publicações do Novo Testamento em grego: "O Livro Completo das Escrituras," publicado na Espanha e a edição de Erasmo de Rotterdam na Basiléia. É importante mencionar a edição de Tischendorf, no fim do século passado, resultado de um trabalho de comparação de novecentos manuscritos do Novo Testamento.

Tanto estes trabalhos críticos como principalmente os incansáveis esforços da Igreja habitada e guiada pelo Espirito Santo, nos asseguram que nos dias de hoje possuimos o texto grego puro e não adulterado dos Livros Sagrados. Podemos afirmar que estes livros são os mais genuinos porque são a melhor edição de todos os livros antigos.

As traduções

para o eslavo e russo

Na segunda metade do século IX os Livros Sagrados do Novo Testamento foram traduzidos para o eslavo pelos santos - irmãos, equi-apóstolos (iguais aos apóstolos), Cirilo e Metódio que iluminaram o povo eslavo. Este idioma, um dialeto búlgaro-macedonio, era mais ou menos compreendido por todos os povos de dialetos eslavos inclusive pelo povo da região de Salonica, lugar de nascimento dos irmãos santos. O manuscrito mais antigo da tradução eslava foi preservado na Rússia sob o nome de Evangelho de Ostromirov porque foi escrito pelo diácono George Ostromirov em 1056-57, para o governador da cidade de Novgorod. Com o passar do tempo o texto eslavo ficou sujeito a algumas russificações. A tradução russa contemporânea foi feita na primeira metado do século XIX.

A tradução inglêsa

Não obstante as muitas traduções inglesas da Bíblia no todo ou em parte empreendidas durante a Idade Média, somente no século XVI que a história da Bíblia inglesa aparece na forma como nós conhecemos. O Novo Testamento de William Tyndale, publicada em 1525-26, foi traduzido diretamente do original grego e não do latim, conhecida como Vulgata.

A conferência de Hampton Court em 1604 propos uma nova tradução da Bíblia e 54 tradutores foram convidados para o empreendimento desta tarefa em Oxford, Cambridge e Westminster. A sua tradução, dedicada ao Rei James I, foi publicada em 1611 em volumes grandes. Esta tradução, também conhecida como a Versão Autorizada se enraizou de tal forma na história religiosa e literaria dos povos de lingua inglêsa que as edições que se seguiram foram apenas revisões e não substituições. Foram estas revisões que vieram na Revisão Inglêsa de 1885, seguida da Versão-Padrão Americana (American Standard Version) de 1901. Esta última foi drasticamente revisada pela Revised Standard Version (1946-52).

A Bíblia Ampliada (1954) é uma tradução literal que usa palavras associadas para melhor transmitir o pensamento original. Esta versão tem como objetivo complementar outras traduções. A Bíblia de Jerusalém (1966) é uma tradução do texto hebreu masoretico, do grego.... (?), dos pergaminhos do Mar Morto e do Novo Testamento grego e aramaico. Na edição da Nova Bíblia Americana (1970), tradução católica, todos os textos básicos foram consultados, o trabalho levou 26 anos. Temos a Living Bible (1971) que é uma paráfrase popular de um único tradutor, Kenneth L.Taylor. A New American Standard Bible (1971) foi traduzida por uma congregação de 54 estudiosos gregos e hebreus e necessitou de 11 anos para elaboração. A New King James Bible (1979-82) é uma versão segundo a linha de pensamento da edição de 1611 da King James Bible. É baseada no texto grego usado pelas igrejas da língua grega durante muitos séculos, conhecida hoje em dia como Textus Receptus ou Texto recebido.

Atualmente existem mais de doze traduções inglêsas disponíveis, cada uma com seus méritos e suas deficiências. Algumas são mais literais e conseqüentemente mais difíceis de serem compreendidas; outras são de leitura mais fácil e mais compreensíveis porém menos exatas. Um estudante da Bíblia mais sério poderá querer comparar algumas destas traduções para obter melhor compreensão do texto original. A grande variedade de versões modernas testemunha o fato de que traduzir é essencialmente interpretar. Em outras palavras, para se fazer um bom trabalho o tradutor necessariamente deverá conhecer bem o idioma do original e para o qual será traduzido. O tradutor deverá entender o tema e o que é extremamente importante, captar a ideia que o autor intensiona transmitir e o sentido em que ele pretende que seja transmitido. E como o autor final das Sagradas Escrituras é o Espírito Santo, o tradutor necessita de Sua iluminação e inspiração para transmitir Sua mensagem. São Pedro apontou para esta exigência quando escreveu: "Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal, pois a profecia nunca chegou através da vontade do homem, porém santos homens de Deus falaram através da influência do Espirito Santo" (2 Pedro 1:20-21). E aqui está o problema principal de algumas traduções bíblicas modernas. E os cientistas que trabalharam nisso com todo o seu conhecimento de línguas antigas e o melhor empenho para um bom trabalho, muitas vezes estavam longe da Igreja e portanto nunca entenderam Seus ensinamentos. Portanto, atualmente o King James Bible e sua versão mais nova o New King James Bible, mesmo que imperfeitas parecem ser as exatas no sentido original da Bíblia como a Igreja sempre entendeu.

O tempo quando

foram escritos os evangelhos

Não podemos precisar com exatidão quando cada um dos livros do Novo Testamento foi escrito. Entretanto não há dúvida de que todos foram escritos na segunda metade do primeiro século. Isto é evidente pelo fato de que uma série de escritas no segundo século - como as Apologias do Santo Mártir Justino o filósofo, escritas no ano 150, as obras poéticas do autor pagão Celso, escritas no segundo século e especialmente as epístolas do bispo-mártir Inácio Teóforo de Antióquia, escritas aprox. em 107 A.D. - todos fazem inúmeras referências aos livros do Novo Testamento.

Os primeiros livros do Novo Testamento foram as epístolas dos apóstolos, escritas por causa da necessidade de fortalecer a fé das recém-fundadas comunidades cristãs. Em pouco tempo também surgiu a necessidade de uma documentação sistemática da vida e dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não importa o quão exaustivamente os chamados "críticos contraditórios" se esforçaram em minar a confiança na autenticidade histórica dos evangelhos e outros livros sagrados, afirmando que apareceram muito mais tarde (Bauer e sua escola), os novos achados na literatura patrística da igreja (especialmente os antigos trabalhos dos Santos Pais da Igreja), nos atestam que todos os quatro evangelhos foram de fato escritos no primeiro século.

Pelas inúmeras deduções podemos concluir que o evangelho de São Mateus foi escrito primeiro e no máximo 50-60 anos depois do nascimento de Cristo. O evangelho de São Marcos e São Lucas foram escritos mais tarde, mas certamente antes da destruição de Jerusalém, ou seja, antes de 70 A.D. São João o Teólogo escreveu o seu evangelho depois dos outros e muito provavelmente no final do primeiro século, quando estava com mais de 90 anos. Algum tempo antes ele escreveu o Apocalipse ou o Livro da Revelação. Os Atos dos Apóstolos foram escritos logo após o evangelho de São Lucas e como indicado no prefácio, servem como continuação do evangelho de São Lucas.

O significado

dos quatro evangelhos

Os quatro evangelhos harmoniosamente relatam a vida e os ensinamentos de Cristo Redentor, Seus milagres, os Seus sofrimentos na Cruz, Sua morte e sepultamento, Sua gloriosa ressurreição e ascenção ao céu. Mutuamente complementando-se e esclarecendo, os evangelhos representam um único livro, sem contradições ou variações no que é mais importante e fundamental.

A misteriosa carruagem vista pelo profeta Ezequiel no rio Chebar (Ezequiel 1:1-28), com cinco criaturas, que tinham semelhança com um homem, um leão, um touro e uma águia, serve como símbolo dos quatro evangelhos. Ao início do século V, a arte cristã representa Mateus como um homem ou anjo, Marcos como um leão, Lucas um boi e João como uma águia.

Além dos quatro Evangelhos havia mais 50 outras escritas similares durante os primeiros séculos que se apresentavam como "evangelhos" e declaravam origem apostólica. A Igreja chamou estas escritas de Apócrifos - o que significa não-credenciados ou livros repudiados. Estes livros contém narrativas distorcidas e de significado duvidoso. Estes incluem "o primeiro evangelho de Jó," "a história de José o carpinteiro," "o evangelho de Tomás," "o evangelho de Nicondemos"e outros. Nestes evangelhos" podemos encontrar as mais antigas lendas relatando a infancia e a juventude de Jesus Cristo.

A relação entre

os evangelhos

O conteudo dos três primeiros evangelhos, o de Mateus, Marcos e Lucas, é semelhante na forma e no tema. Quanto ao quarto evangelho, o de João, este permanece único, pois distingue-se significativamente de todos os outros, em conteudo, no estilo e na forma. Por esta razão, costuma-se referir-se aos três primeiros como sinópticos, que vem do termo syn-opticos, o que significa, vistos com o mesmo olho, concordantes. Entretanto, mesmo que estes três primeiros sejam semelhantes, cada um traz suas peculiaridades portanto eles continuam a ser únicos.

Os evangelhos sinópticos relatam quase exclusivamente os feitos de Nosso Senhor Jesus Cristo na Galiléia enquanto que o de João fala das atividades de Nosso Senhor na Judéia. Os sinópticos relatam principalmente os milagres, parábolas e eventos da vida de Nosso Senhor, enquanto São João faz ponderações sobre o sentido mais profundo da vida de Nosso Senhor e cita apenas suas palavras sobre os temas da fé mais elevados.

Os evangelhos, mesmo com todas as suas variações, não contém contradições. Ao ler com atenção podemos facilmente encontrar evidencia de concordância entre os sinópticos e São João. Apesar de que São João narra muito pouco sobre as pregações de Nosso Senhor na Galiléia, sem dúvida ele está ciente de Suas freqüentes e longas estadas naquela localidade. Os sinópticos nada relatam sobre a primeira atividade de Nosso Senhor na Judéia e em Jerusalém entretanto dão indícios de que estas atividades ocorrem com freqüencia. Portanto, de acordo com suas observações Nosso Senhor tinha amigos em Jerusalém bem como discípulos e seguidores, como por exemplo o dono da estalagem onde aconteceu a Última Ceia, e também José de Arimatéia. São de especial importancia as palavras citadas nos sinópticos, "Jerusalém! Jerusalém! o quanto é freqüente o meu desejo de reunir teus filhos." Esta expressão claramente sugere muitas visitas de Nosso Senhor a essa cidade.

A diferença fundamental entre os sinópticos e São João está no registro das palavras de Nosso Senhor. Nos sinópticos estes conceitos são simples e de fácil compreensão enquanto que os de São João são profundos e de difícil compreensão, como se não fossem destinados à multidões mas a uma seleção de ouvintes. Isto é verdade. Os sinópticos apresentam as palavras do Senhor ao povo da Galiléia, formado de homens simples e ignorantes. São João, no geral, transmite os discursos aos letrados e fariseus, bem familiarizados com as leis de Moisés e que em maior ou menor parte encontravam-se nos escalões mais altos da sociedade judia. Além do mais, como veremos a seguir, os evangelhos de São João almejavam um determinado propósito, talvez revelar mais intensa e profundamente a divindade de Jesus Cristo. Este tema, evidentemente é muito mais difícil compreender do que as parábolas dos sinópticos. Mesmo aqui, não há grande divergencia entre os sinópticos e São João. Se os sinópticos focalizam mais o lado humano de Cristo e São João o aspecto Divino, isto não significa que os sinópticos omitiam o aspecto Divino ou que São João não mostrou o lado humano. Nos sinópticos o Filho do Homem é também o Filho de Deus a quem todo o poder foi dado no céu e na terra. Também o Filho de Deus, segundo São João é um homem verdadeiro, Aquele que aceita um convite a uma festa de casamento, conversa com Marta e Maria como um amigo e chora no túmulo de Seu amigo Lázaro.

Assim, os sinópticos e São João mutuamente enriquecem e complementam e somente na sua totalidade podem revelar a personalidade de Cristo como perfeito Deus e como perfeito Homem.

O ensinamento ortodoxo sempre sustentou que mesmo que as Sagradas Escrituras fossem um resultado da Divina inspiração outorgada aos escritores, através de pensamentos e palavras, o Espírito Santo não inibiu as suas mentes nem suprimiu os seus atributos pessoais. A presença do Espirito Santo não suprimiu o espírito humano mas purificou-o e elevou-o acima dos seus próprios limites. Assim, constituindo uma unidade na interpretação da Verdade Divina, os evangelhos diferem entre si nas caracteristicas pessoais de caráter de cada evangelista, na construção idiomática, estilo e forma de expressão. Diferem também por causa de circunstâncias e condições em que foram escritas, bem como diferem no objetivo a que se propos cada um dos evangelistas.

É por isso que, para melhor percebermos e entendermos os Evangelhos, é essencial para nós conhecermos mais a personalidade, o caráter e a vida de cada um dos quatro evangelistas e as condições em que cada evangelho foi escrito.

O evangelho

segundo São Mateus

O evangelhista Mateus, que também tinha o nome de Levi, era um dos doze apóstolos de Cristo. Antes de ser chamado por Cristo ele era um publicano ou coletor de impostos romanos, e, como tal, não era benquisto aos seus compatriotas, os judeus. Os judeus desprezavam e odiavam os publicanos porque eles serviam os governantes pagãos de seu povo e criavam privações ao arrecadar impostos e muitas vezes praticavam extorsão neste processo.

São Mateus relata o seu chamado no capitulo 9 no seu evangelho, referindo à sua pessoa como "Mateus," enquanto que Marcos e Lucas o chamam "Levi." Os judeus tinham o costume de possuir vários nomes.

Profundamente comovido pela misericordia do Senhor em não desprezá-lo, não obstante o desprezo dos judeus e especialmente dos seus líderes, os escribas e fariseus, Mateus de todo o coração acolheu os ensinamentos de Cristo. Ele compreendeu profundamente a superioridade das mensagens de Cristo sobre as opiniões mesquinhas e as tradições dos fariseus. Eles apenas aparentavam retidão porém eram egoistas, crueis e desprezavam pessoas simples. É por isso que somente Mateus apresenta com tantos detalhes o discurso acusatório do Senhor contra os escribas, fariseus e outros hipócritas (veja o capítulo 23 deste evangelho). Supomos que por essa mesma razão ele tão fervorosamente acolheu a ideia da salvação de seu povo, tão impregnado de falsos conceitos e opiniões de fariseus e é por isso que escreveu o evangelho para os judeus. Supõe-se que inicialmente ele escreveu em hebreu e algum tempo mais tarde ele mesmo teria traduzido para o grego.

O objetivo principal de Mateus foi provar aos judeus que Jesus Cristo foi realmente o Messias que os profetas previram no Antigo Testamento e que as Escrituras Sagradas do Antigo Testamento tornam-se claras e assumem sua totalidade ou integridade somente à luz dos ensinamentos de Cristo. Por esse motivo ele inicia seu evangelho com a árvore genealógica de Cristo, demonstrando aos judeus a sua descendência de David e Abraão. Ele faz inúmeras referências ao Antigo Testamento (mais de 100) para provar que Cristo corresponde às profecias do Antigo Testamento. Ao dizer que o seu primeiro evangelho "é para os judeus " pode ser interpretado assim também pelo fato de que São Mateus, ao contrário dos outros evangelistas, menciona costumes judeus sem explicar suas razões ou significado. Da mesma forma ele inclui alguns termos aramaicos usados na Palestina, sem explicar o seu significado.

Em seu Evangelho Mateus deu especial ênfase às Suas relações e atividades como Rei. O seu termo favorito para designar ......... foi a frase Reino dos Céus. Mateus mostrou que o Messias inaugurou seu Reinado com toda a autoridade no céu e na terra (ch. 28:18). O Reino deve ser entendido como a leal submissão de Seu povo para Ele e obediência à Sua lei. O Seu Reino é espiritual. Além do mais, Mateus assegurou que o Rei retornará na(regeneração) e sentará no trono de Sua glória enquanto que "vós (Apóstolos) que me acompanharam também sentarão em 12 tronos, e julgarão as 12 tribos de Israel" (ch. 19:28).

Ele também avisou os leitores de que os benefícios do Reino se estenderão além dos limites do povo judeu. Far-se-ão discípulos no tempo presente de todas as nações (ch. 28:19), enquanto que o Reino cresce como a árvore da mostarda de sua pequenina semente (ch. 13:31). No tempo que há de vir todas as nações se juntarão diante do Rei e os que creem serão convidados a herdar o Reino (ch. 25:32-34), Neste reino o povo virá do oriente e do ocidente e do norte e do sul e se sentará com os patriarcas enquanto que os filhos dos incrédulos (os judeus descrentes) serão banidos (ch. 8:11-12). Certamente Mateus teve em mente a intenção de impressionar os seus irmãos judeus que a missão do Rei era salvar o povo de seus pecados - por isso o nome do Rei era Jesus que significa "salvador " (ch. 1:21). A fim de salvar Seu povo o Rei deu sua vida como resgate. Seu sangue foi derramado para a remissão dos pecados (ch. 26:28). O seu poder para resgatar os homens de seu inimigo (o Demonio) foi demonstrado primeiro ao vence-lo em todas as tentações (ch.4:1-11) e segundo ressucitar vitoriosamente da morte. (ch. 28).

Depois de pregar na Palestina por muito tempo, São Mateus viajou para outras nações para divulgar o evangelho e terminou sua vida como mártir na Etiópia.

O Evangelho

segundo São Marcos

O evangelista Marcos também tinha o nome de "João." Ele também era judeu de nascimento nas não fez parte dos doze apóstolos. Por esta razão não poderia Ter sido o ouvinte e companheiro de viagem de Cristo como tinha sido São Mateus. Ele escreveu o evangelho baseado nas conversas com São Pedro e sob a sua supervisão. Provavelmente ele teria sido testemunha ocular somente nos últimos dias de Cristo na terra. Somente o evangelho de São Marcos menciona um jovem que .... (Marcos 14:51-52). A antiga tradição diz que o jovem em questão era o próprio São Marcos, autor do segundo evangelho. Sua mãe, Maria, é mencionada no Livro dos Atos como uma das mulheres mais devotas a Cristo. Em sua casa, em Jerusalém, os devotos se reunião para oração. É bem provável que que o segundo pavimento onde Cristo partilhou a última Ceia com seus discípulos e instituiu a Eucaristia (Santa Comunhão) fosse a casa de Marcos.

Mais tarde, Marcos viajou com São Paulo na sua primeira jornada missionária. O outro companheiro de viagem foi Barnabé, tio materno de Marcos. Marcos estava como o apóstolo Paulo em Roma quando este escreveu a epístola aos Colossenses.

Aparentemente, mais tarde, São Marcos tornou-se companheiro de viagem e ajudante de São Pedro, o que fica evidente nas palavras de São Pedro na sua primeira epístola onde escreve: (1 Pedro 5:13 - "Tudo indica que Babilônia seria mais um nome para Roma"). Antes de sua partida São Paulo o chama de volta e escreve a Timóteo: "leve Marcos consigo, pois preciso dele para servir" De acordo com a antiga tradição São Pedro nomeou São Marcos o primeiro bispo da igreja de Alexandria, e São Marcos terminou sua vida como martir.

De acordo com Papias, bispo de Hiecropolis, bem como São Justino o Filósofo e São Irineu de Lion, São Marcos escreveu seu evangelho baseado nas palavras de São Pedro. São Justino chama abertamente como "recordações escritas de Pedro." Clemente de Alexandria declara que o evangelho de São Marcos essencialmente representa a versão escrita dos sermões de São Pedro, os quais São Marcos documentou o pedido dos cristãos localizados em Roma. O verdadeiro contexto do evangelho de São Marcos atesta que foi designado aos pagãos que se converteram ao cristianismo. Os ensinamentos do Senhor fazem pouquíssimas referências ao Antigo Testamento e menos ainda são as citações das escrituras do Antigo Testamento. Além disso, encontramos termos latinos, como especulador e outros. Até o Sermão da Montanha, que demonstra a superioridade da Lei do Novo Testamento sobre o Antigo Testamento é omitido.

Ao invés disso, o objetivo principal de São Marcos é apresentar uma narrativa forte e clara dos milagres de Cristo, evidenciando através deles a grandeza e onipotência de Deus. No seu evangelho Cristo não é um "descendente de David" como em Mateus mas o Filho de Deus, Senhor e Mestre, Rei do Universo.

O evangelho

segundo São Lucas

O antigo historiador, Eusébio de Cesarea, afirma que São Lucas veio de Antioquia e isto leva a pensar que São Lucas era um pagão ou proselita - um pagão convertido ao judaismo. Ele era médico, como visto nas epístolas de São Paulo aos Colossenses. A antiga tradição acrescenta também que São Lucas era um artista. O texto do seu evangelho explica em detalhe as instruções do Senhor aos setenta discípulos o que nos leva a concluir que ele era um dos setenta. Sua extraordinária narrativa sobre a aparição de Nosso Senhor a dois discípulos no caminho para Emaús onde ele se refere apenas a Cleopa pelo nome, atesta que ele tinha sido aquele que está junto, agraciado pela aparição do Senhor (Lucas 24:13-33).

Também, através dos Atos dos Apóstolos é evidente que na Segunda jornada do apóstolo Paulo, São Lucas se tornou seu constante ajudante e quase um companheiro inseparável das viagens. Ele esteve com o apóstolo Paulo quando este foi aprisionado pela primeira vez quando escreve as epístolas aos colossenses e filipeus. Também estava com ele quando Paulo foi aprisionado pela Segunda vez e escreveu as epístolas para Timóteo. Morreu como mártir em Acaia (Grécia). Durante a metado do século IV suas reliquias junto com as do apóstolo André foram transferidas para Constantinopla.

Como está evidente no prefácio do terceiro evangelho, São Lucas escreveu o evangelho a pedido de um homem ilustre, o Excelentíssimo Teófilo, que viveu na Antióquia e para quem ele escreveu os Atos dos Apóstolos, que seria uma continuação dos relatos do Evangelho (Lucas 1:3 e Atos 1:1-2). Ele não somente foi testemunha ocular das pregações de Jesus Cristo, mas também testemunha de outros escritos relatando a vida e os ensinamentos de Cristo. Conforme suas próprias palavras ele examinou reiteradamente e comparou-as. Portanto seu evangelho se distingue por aprimorada exatidão ao precisar tempo e lugar de determinado evento em seqüència cronológica rigorosa.

O Excelentíssimo Teófilo, para quem foi escrito o terceiro evangelho, não viveu na Judéia nem esteve em Jerusalém; pois não seria necessário a São Lucas dar explicações geográficas, por exemplo, que o Monte das Oliveiras fica perto de Jerusalém, sobre o caminho de Sabbat. Por outro lado parece que ele era familiarizado com as cidades de Siracusa, Frigia, Puteoli na Italia, a praça de Ápia e as três estalagens em Roma, todos mencionados no Livro dos Atos e sobre os quais São Lucas não dá explicações. De acordo com as afirmações de Clemente de Alexandria (início do III século) Teófilo teria sido um rico e conhecido habitante de Antióquia (Siria) que praticava a fé em Cristo e cuja casa servia de igreja para os cristãos de Antióquia.

O evangelho de São Lucas claramente mostra a influência de São Paulo com quem colaborou e fez viagens. Como Apóstolo aos gentios, São Paulo procurou desvendar a grande verdade, que Jesus Cristo, o messias, veio à terra não apenas aos judeus mas também para os gentios e é o Salvador de todo o mundo e toda a humanidade.

Junto com essa idéia fundamental, que é claramente transmitida ao longo de todo o terceiro evangelho, a genealogia de Jesus Cristo é traçada até o primeiro ancestral na humanidade, Adão, e o Próprio Deus, a fim de enfatizar o Seu signifcado para a toda a raça humana (Lucas 3:23-38).

Algumas passagens, como a da missão de Elias para a viúva da região de Sidon, a cura de Naam o Sírio (Lucas 4:26-27) da lepra pelo profeta Elias, a parábola do filho pródigo e do publicano e fariseu são encontrados em estreita coerencia com os ensinamentos do apóstolo Paulo com relação a salvação não somente dos judeus mas também dos gentios e a absolvição do homem perante Deus não por meio de leis mas pela graça de Deus, dada exclusivamente através da Sua infinita misericordia e amor para a humanidade. Ninguém como São Lucas retratou tão vivamente o amor de Deus para os pecadores arrependidos, colocando no seu evangelho uma coleção de parábolas e acontecimentos sobre esse tema. Além das parábolas mencionadas, podemos também lembrar as parábolas da ovelha perdida, da moeda perdida, do bom samaritano, o arrependimento do chefe dos publicanos, Zaqueu, e outras seções, bem como as palavras profundas "a felicidade existe..." (Lucas 15:7).

O tempo e lugar dos evangelhos de São Lucas podem ser tirados por dedução que teriam sido escritos antes dos Atos dos Apóstolos, que aparentemente teriam fornecido a fonte para a continuação dos evangelhos. O Livro dos Atos termina com uma narrativa dos dois anos de pregação de São Paulo (Lucas 28:30). Isto ocorreu aproximadamente 63 anos depois do nascimento de Cristo. Conseqüentemente o evangelho de São Lucas não poderia Ter sido escrito depois disso e presumidamente teria sido escrito em Roma.

O Evangelho

segundo São João

O evangelista São João o Teólogo foi o discípulo amado de Cristo. Ele era filho de um pescador da Galiléia, Zabedeu e Salomé. Parece que Zabedeu tinha sido um homem próspero, pois tinha empregados e também era um eminente membro da comunidade judaica pois seu filho João conhecia o sumo sacerdote. Salome, a mãe de João é mencionada como uma das mulheres que serviram o Senhor com recursos materiais. Ela acompanhava o Senhor para a Galiléia, e foi a Jerusalém para a última páscoa. E participou com outras mulheres piedosas para comprar os santos óleos para ungir o corpo de Cristo. A lenda diz que ela foi filha de José, esposo de Maria (falta ver nome correto).

São João inicialmente tinha sido discípulo de São João Batista. Depois de ter ouvido o seu testemunho sobre Cristo como o Cordeiro de Deus que tomou sobre Si os pecados do mundo," ele e André imediatamente seguiram Cristo (João 1:37-40). São João passa a ser o discípulo permanente do Senhor quando depois de uma pesca milagrosa no Mar da Galiléia quando o Senhor o chamou, junto com seu irmão Jacó. Junto com seu irmão Jacó e Pedro, João foi agraciado com uma especial proximidade de Cristo. João se encontrava com o Senhor nos momentos mais importantes e de maior jubilo de Sua vida terrena. Assim, ele foi honrado estar presente na ressurreição da filha de Jairo, na Transfiguração do Senhor no Monte Tabor, ao escutar a discussão sobre os sinais da segunda vinda do Senhor e testemunhando a oração do Senhor em Getsemane. Na Última Ceia ele estava tão próximo que se reclinou sobre o peito do Senhor (João 13:23-25), a partir de onde ele passou a ser chamado de amigo do peito, o que deu origem a designação de alguém muito próximo. Em seu evangelho, por humildade, nunca se referiu a si pelo nome mas como "discípulo que Jesus amou." O amor de Cristo por ele monstrou-se aparente quando, na cruz, encomendou sua Puríssima Mãe aos cuidados de João dizendo: "Esta é tua mãe."

João amava Cristo com fervor e estava cheio de indignação contra aqueles que hostilizavam-No ou distanciavam-se Dele. João pediu permissão ao Senhor de incendiar uma aldeia da Samaria que tinha hostilizado o Senhor, quando Ele passava lá a caminho de Jerusalém (Lucas 9:54), pelo que ele, João e seu irmão Jacó receberam do Senhor o apelido de voanerges o que significa "filhos do trovão." Sentindo o amor de Cristo mas ainda sem ter sido iluminado pela graça do Espírito Santo ele pede ao Senhor para si e para seu irmão um lugar próximo ao Senhor no Seu futuro Reino. Em resposta ele recebe a profecia sobre o cálice de sofrimento que os espera (Mateus 20:20).

Depois da Ascenção do Senhor freqüentemente vemos São João com São Pedro. São João juntamente com São Pedro são considerados os pilares da Igreja (Gal. 2:9). Depois da destruição de Jerusalém São João se estabelece e prega em Éfeso, Asia Menor. Durante o reinado do imperador Domiciano, ele foi exilado na Ilha de Patmos onde escreveu o Apocalipse ou a Revelação (Rev. 1:9-19). Ao voltar do exílio para Éfeso São João escreveu seu evangelho e morreu aos 105 anos aprox., o único dos apóstolos, de morte natural,durante o reinado do imperador Trajano.

De acordo com a Tradição, São João escreveu o seu evangelho ao pedido de cristãos efésios. Eles trouxeram os três anteriores e pediram que fizesse uma revisão e complementasse as pregações que tinha ouvido de Cristo pessoalmente. São João verificou a veracidade do que estava escrito nos três evangelhos mas achou necessário complementar as narrativas, uma explicação mais clara dos ensinamentos sobre a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, de forma que o povo com o tempo não passasse a ter Cristo como somente Filho do Homem. Isto era em especial necessário pois nesta época apareceram hereges que negavam a Divindade de Cristo - os evonitas hereges de Corinto e gnósticos. A respeito deste episódio temos registros de São Irineu no século III. Está evidente que o objetivo do quarto evangelho era complementar as narrativas dos três primeiros evangelhos. Pelo seu caráter espiritual, o que torna este diferente dos três primeiros, ele se chamou "o Evangelho espiritual." O evangelho de São João começa com a exposição da Divindade de Jesus Cristo e adiante contém uma série dos mais elevados sermões do Senhor nos quais é revelada a Sua Divindade e os mais profundos mistérios da fé. Por exemplo a conversa com Nicodemo sobre o nascimento superior com água e Espírito, sobre o mistério da salvação; a conversa com a mulher samaritana sobre a água da vida e sobre a veneração a Deus em espirito e verdade; o sermão sobre o pão que baixou do céu e sobre o mistério da Eucaristia; sobre o Bom Pastor e particularmente extraordinário por seu conteudo, o sermão da Última Ceia, como a despedida do Senhor de seus discípulos que conclui com a magnífica "oração do Sumo Sacerdote." Aqui encontramos uma série de testemunhos pessoais do Senhor sobre Si mesmo, como Filho de Deus. Por revelar estas mais profundas verdades e mistérios da fé cristã, São João foi honrado com a designação de Teólogo.

Virgem, de coração puro, com toda a sua alma se entregou ao Senhor e foi amado por Ele, por esse motivo, de um amor especial, São João penetrou profundamente no mistério do amor cristão. Ninguém como ele revelou tão plenamente e com tanta profundidade e convicção em seu evangelho e suas três epístolas o dogma cristão sobre os dois principais mandamentos da lei divina - o amor a Deus e o amor ao próximo. Por isso também ele é chamado de Apóstolo do amor.

Uma outra caractéristica que diferencia o evangelho de São João é que, enquanto os três evangelhistas narram as pregações de Cristo na Galiléia, São João descreve os eventos e sermões na Judeia. Através disso podemos determinar a duração das pregações do Senhor e também a extensão da Sua vida terrena. Pregando principalmente na Galiléia o Senhor viajava para Jerusalém para as festividades da Páscoa. Como evidenciado no evangelho de São João, foram três as viagens para a celebração da Páscoa. Na quarta viagem Nosso Senhor aceitou a morte na cruz. Assim, a pregação pública de Nosso Senhor teve a duração de três anos e meio e Ele viveu na terra trinta e três anos e meio (iniciou a pregação com trinta anos como atesta Lucas 3:23).

Conclusão

Nosso Senhor Jesus Cristo veio à terra para estabelecer o Reino de Deus entre os homens ou seja, estabelecer uma vida virtuosa. Ele nos ensinou para que sempre nos empenhemos e pessamos: "venha a nós o Teu Reino, seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu. " Entretanto, não era de Sua vontade impor este Reino, por meios artificiais e forçados. Por isso Ele evitava qualquer interferência na vida política do pais e chamava os homens para a purificação de seus corações para o renascimento espiritual. Isto levaria a uma melhora em todos os aspectos da vida comunitária.

Ao lermos a história da expansão do Cristianismo, observamos que na medida de que os povos assimilavam os ensinamentos do Salvador, transformações sociais e econômicas começavam a se evidenciar nas comunidades. Na verdade o cristianismo favoreceu a abolição da escravidão, elevou a posição da mulher, fortaleceu a unidade familiar, formou organizações de caridade e trouxe à humanidade os mais elevados princípios morais e humanitários. Podemos constatar nos paises onde dominam idéias contrárias ao cristianismo, como o fascismo ou materialismo "científico" onde, ao invés do "paraiso terrestre" aparece algo semelhante ao inferno, onde, ao invés de venerar-se Deus venera-se um líder político.

Somente Deus conhece todas as falhas e fraquezas da natureza humana (maculada) ferida pelo pecado e somente Deus pode ajudar o homem a vencer suas inclinações negativas e a resolver todos os seus problemas pessoais, familiares e sociais. Daí a necessidade de buscar-se orientação dentro dos ensinamentos de Deus, o que almejar e como proceder. Os fundamentos do cristianismo são - a fé em Deus e o amor aos homens Ele nos ensina a generosidade, misericordia, modestia e benevôlencia. Ele nos chama a fazer o bem, a desenvolver dentro de nós todas as aptidões que Deus nos concedeu. Os ensinamentos de Cristo nos trazem paz e alegria na alma. Eles nos ensinam que o homem foi criado para a eterna bem-aventurança no Reino dos Céus e nos ajudam a alcançá-lo. E é por isso que para o cristão é indispensável ler o Evangelho continuamente, com concentração e espirito de oração absorvendo dele a Sabedoria Divina.

Panorama histórico

para o Novo Testamento

O povo que se encontrava ao redor de Cristo se orgulhava ser o povo de Abraão, o povo de Israel. As riquezas dos patriarcas, o crescimento da familia de José no Egito e sua transformação em nação de Israel, a libertação do povo das fronteiras do Egito, o zêlo divino ao longo dos 40 anos na imensidão selvagem, a instituição das leis para adoração, o código de leis morais e civís, o estabelecimento na terra prometida, estes eventos juntamente com todos os milagres dos primórdios, tudo isto tinha sido do conhecimento geral do povo. Este também estava ciente das façanhas dos juizes, a ascenção do reino e a era de David, a construção do primeiro templo sob comando de Salomão, a divisão do reino - permitida por causa dos pecados de Salomão, o contínuo estado de pecado do povo e as pregações dos profetas para advertir, a servidão do reino do norte subjugado pela Assíria e mais tarde a Judéia, o reino do sul subjugado à Babilônia, a restauração da Judéia, quando Ciro rei da Pérsia conquistou a Babilônia e permitiu os judeus durante o tempo de Zorobabel a retornar à sua terra de origem para restaurar Jerusalém e a construir o segundo templo. Além do mais, muitas das reformas do tempo de Nehemias, o último líder político do Antigo Testamento, permaneceram em forma de costumes sociais até os tempos do Novo Testamento.

Ao longo do Antigo Testamento a nação de Israel é vista como o povo eleito por Deus, distinto do resto do mundo. Pelo seu adiantado código civil e moral; pelo sistema de sacrifícios lhes dado no Sinai - especialmente os sacrifícios expiatórios (pelos seus pecados) maior foi a cobrança divina por sua desobediência aos altos padrões éticos que havia aprendido, pelo cativeiro permitido por Deus por causa de desvios à idolatria, e pelo modo como o povo judeu era preservado, - tudo isso como é apresentado no Antigo Testamento - faz um panorama importante da história para um estudo da vida e obra de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Entretanto, o Novo Testamento não é apenas uma continuação do Antigo Testamento. Podemos observar uma grande diferença na situação política daquela descrita no Antigo Testamento e uma ordem social bastante diferente no início do Novo Testamento. Um intervalo de mais de 400 anos separa o tempo de Nehemias o último editor das Escrituras do Antigo Testamento do tempo de João Batista. No aspecto dos governantes essa era abrange quatro épocas, a dos pérsas, dos gregos, a dos macabeus e a dos romanos.

A época dos Persas:

No tempo de Nehemias, os Persas dominavam os judeus, que haviam novamente se estabelecido na Palestina; o governo teve continuidade até a queda do império persa e a posse de Alexandre o Grande ou pelo menos até a entrada de Alexandre em Jerusalém em 333 A.C. Durante essa época o Sumo Sacerdote passou a exercer poder civil e religioso e ai também apareceu a inveja e a segmentação entre os judeus e samaritanos. Também, os escribas, que se tornaram intérpretes de influência e professores da lei de Moisés se fizeram presentes como uma classe distinta durante essa época.

A época dos Gregos:

A era dos gregos se iniciou com a conquista das terras por Alexandre o Grande até a heroica façanha da família dos Macabeus, que alcançou independência politica para a comunidade judaica na Palestina. Sob o domínio de Alexandre os judeus viviam em relativa paz e prosperidade. Depois da morte do conquistador em 323 A.C. a Judéia passou a fazer parte do reino grego no Egito cuja capital foi Alexandria, e cujos reis são conhecidos na História como Ptolomeus. O governo destes variava entre tolerante e beneficente ou cruel e tirânico. O segundo Ptolomeu estava interessado na tradução dos livros sagrados do Antigo Testamento dos judeus para o grego, cuja tradução é conhecida como Septuaginta. Depois de 125 anos sob o Egito, o povo judeu e a sua terra foram apossados pelos reis gregos da Siria cuja capital era Antioquia. Esse período foi finalizado com uma série de violentas opressões e perseguições sangrentas infligidas por Antióquio Epifâneo conhecido como um dos tiranos mais cruéis em toda a História e o protótipo do Anticristo. Muitos milhares de judeus foram mortos e outros milhares vendidos como escravos. O templo de Jerusalém foi profanado e fechado e o povo judeu foi proibido de venerar Javé ou fazer uso de seus costumes religiosos, e obrigados a oferecer sacrificios para os deuses gregos.

A época dos Macabeus:

A opressão e perseguição infligidas aos judeus por Antióquio só fez despertar ressentimento por parte dos fieis e inspirar resistencia na primeira oportunidade. Na pequena cidade de Modim, Matatias, um velho sacerdote ousou em recusar a oferecer um sacrificio pagão a mando dos oficiais dos reis e em desafio aos governantes tiranos matou um jovem sacerdote apostata,que se ofereceu a cumprir o sacrifício. Matatias e os cinco filhos, ajudados pelos amigos, se levantaram contra os oficiais gregos e os mataram todos. Imediatamente aqueles, leais pelas tradições e adoração por Javé levaram o desafio adiante e foram se reunir nas colinas com o velho sacerdote e milhares se juntaram. Mas Matatias logo sucumbiu aos sofrimentos do acampamento e as fraquezas da idade; e assim a liderança passou para Judas, o terceiro filho, conhecido na História como Judas Macabeus. Sem dúvida Judas foi a figura mais ilustre do período entre David e Jesus Cristo. Apesar da disparidade ele foi brilhante na batalha e teve cinco das mais brilhantes vitórias registradas na História. Depois de uma dessas vitórias ele conduziu um exército do povo em júbilo até Jerusalém e abriu as portas do templo, que estavam fechadas por três anos e purificou-o o e mandou fazer novo mobiliário sagrado substuindo o que foi profanado por Antioquio e dedicá-lo novamente para serviço do verdadeiro Deus. Finalmente Judas tombou numa batalha contra uma orda Sirio-grega, mas o vôo para a liberdade continuou e foi conduzido pelos seus irmãos. Jônatas o mais novo dos cinco, um diplomata astuto, tendo assumido a liderança, assegurou importantes concessões para o seu povo de um pretendente em Antióquia que mais tarde assumiu o poder.

Quando Jônatas foi assassinado traiçoeiramente, Simão, o filho mais velho de Matatias, assumiu a liderança nesta causa. Em 144 AC ele conseguiu a completa liberdade para o seu povo oprimido pelos gregos, tanto pela bravura na batalha como também pela sábia diplomacia. Como este heróis pertenciam a famílias de sacerdotes, eles agiam com duplo poder, como governantes políticos e como sumo-sacerdotes no templo purificado e restaurado. Simão, da mesma forma como seu irmão Jônatas, foi traido e morto juntamente com seus dois filhos; entretanto um terceiro filho, João Hircano, assumiu rapidamente o governo. Após lutas bem-sucedidas para estabelecer seu poder diante dos simpatizantes dos gregos, este governante liderou uma série de expedições contra hostís tribos vizinhas, particularmente os Idumeneos ao sul e os samaritanos ao norte. Mais tarde suprimiu as atividades hostís das tribos que viviam a leste do Jordão. Por essas operações ele estendeu os limites de sua nação até que abrangessem todas as terras das doze tribos do Antigo Testamento.

Os homens das gerações que se sucederam nem sempre eram desinteressados em espírito ou tão genuinamente patriotas quanto Matatias e os filhos dele. Um filho de Hircano assumiu o título de Rei dos Judeus com pompa real, e ao mesmo tempo assumindo a função de sacerdote. Havia ciúmes familiares e assassinatos para tomar o trono e a posição de sumo-sacerdote e havia tempo que o povo estava muito oprimido.

Era nessa época que as seitas dos saduceus e dos fariseus apareceram. Fundamentalmente, a diferença entre esses grupos era religiosa. Mas durante a época dos Macabeus eles tomaram caráter mais político, os fariseus sendo pessoas do povo e apoiadores da revolução e os saduceus, partido dos aristocratas ricos e simpatizantes dos gregos.

A época romana:

O poder dos romanos no oeste foi aumentando no decorrer dos séculos. Os exércitos vitoriosos iam subjugando reinos ao longo da costa do Mediterrâneo e em direção ao interior subjugando - os às leis romanas. O mesmo ocorreu com o pequeno reino dos judeus. Uma disputa entre dois irmãos para o posto de sumo-sacerdote e trono judeu era a ocasião para os romanos tomarem o reino. Quando Pompeu, o general romano, invadiu o reino cada um dos irmãos veio a ele apelar por ajuda para defender o seu lado da disputa. Antes que Pompeu tomasse uma decisão, o mais moço dos irmãos, o que era mais agressivo e mais forte em diversos aspectos, tomou a cidade de Jerusalém e fortificou-a contra os romanos. Depois de um longo e sangrento cerco os romanos entraram na cidade e tomaram o ambicioso irmão mais novo e seus dois filhos como prisioneiros e fazendo de Judéia uma provincia romana nomearam o irmão mais velho e o mais pacífico, como o sumo-sacerdote e etnarca. Este título era mero rótulo pois o verdadeiro governante do pais era Antipater, um astuto comandante Idumeneo que aproveitou todas as oportunidades para aumentar seu próprio poder ou fazer prevalecer os interesses da família. Em breve ele ganhou o título de procurador ou seja, guardião do país para os romanos.

Com o assasinato de Antipater em 43 AC seu filho Herodes (conhecido na História como Herodes o Grande) tornou-se governante. Depois de seis anos de guerras sangrentas contra o último pretendente do trono macabeu e contra os Partas, Herodes foi nomeado pelos romanos Rei da Judéia. Seu reinado foi marcado por ciúme insano e matança cruel. Ele não hesitava em matar qualquer um que se opusesse ou obstrusse o seu governo ou seus propósitos. Dentre os assassinados estavam três de seus próprios filhos, sua mulher favorita Mariana e o irmão dela que pouco antes Herodes tinha nomeado sumo-sacerdote. Era sob o seu reinado que nasceu Jesus Cristo. É bem conhecida a matança dos recém-nascidos em Belém que Herodes ordenou para matar o Rei dos Judeus. Herodes foi um construtor: ele reconstruiu muitas cidades destruidas pelas guerras. O mais conhecido projeto de reconstrução foi para substituir o templo de Zorobabel construido cinco séculos antes, com a magnifica estrutura que estava sendo usada na época de Cristo. Segundo a vontade de Herodes o reino seria dividido entre seus três filhos: Arquelau seria o rei na Judeia e Samaria, Antipas (que mandou decapitar João Bastista) seria o tetrarca na Galiléia e Paraea e Felipe tetrarca na Etrúria e Traconitis, uma região a leste do Mar da Galiléia. Quando morreu em 4 A.C. o senado romano confirmou o acôrdo, exceto que Arquelau foi nomeado etnarca ao invés de rei da Judéia.

Arquelau era um fraco, tão cruel quanto seu pai, mas não eficiente como governante. Depois de dez anos de mau governo os romanos decidiram destroná-lo e a pedido de muitos judeus Judéia passou a ser governada por um procurador - ou goveranador, enviado diretamente de Roma. Poncio Pilatos, que ordenou a sentença de morte para Cristo, foi o quinto governador enviado a Judéia.

Situação política durante a pregação de Jesus Cristo: Em Lucas 3:1 há um relato, mesmo que não muito completo, sobre a situação política durante a vida ativa de Jesus Cristo. O território governado por Pilatos abrangia a Judéia e Samária, terras localizadas entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão, o território governado por Herodes Antipas incluia a Galiléia oeste do vale do Jordão e Paraea a leste deste vale (chamado nos Evangelhos como a região além do Jordão). A tetraquia de Felipe estava a leste do Mar da Galiléia e o alto Jordão. No território de Antipas e Felipe havia um grupo de cidades habitadas na maior parte por gregos que estavam isentos das leis dos tetrarcas. Originalmente eram dez delas, unidas com o nome de Decapolis. Todas se encontravam a leste do Jordão.

Panorama religioso:

O povo judeu era intensamente religioso. Sua história, como se apresenta no Antigo Testamento tinha sido escrita sob o ponto de vista religioso. Seus mais brilhantes herois do período intertestamental tinham sido sacerdotes, que conduziram a revolta contra tiranos estrangeiros por razões religiosas, e cujos leais seguidores eram entusiastas religiosos. Nos anos de opressão e matança durante a administração de Antipater como governante e o reinado de Herodes muitos judeus devotos perderam as esperanças de que sua nação ganhasse liberdade política e então passaram a se dedicar a estudos das profecias na Bíblia e se apoiaram na esperança da vinda de um Messias-Rei. Sua vida religiosa se expressava num sistema hoje conhecido como judaismo que se desenvolveu durante o período intertestamental, desde a Lei de Moisés e os profetas e dos comentários interpretativos dos escribas.

Lugares de Adoração:

O povo judeu mantinha duas instituições de veneração - o templo e a sinagoga. Existia um templo localizado em Jerusalém onde os sacerdotes executavam sacrifícios e oferecimentos. Mas também havia a sinagoga onde eram lidas e interpretadas as Escrituras em todas as cidades, vilarejos e cidades estrangeiras.

O templo:

No Antigo Testamento, adoração significava oferecimento de sacrifícios e ritos cerimoniais. Havia pouca veneração de congregação ou seja canto ou leitura coletiva de orações ou leitura publica das Escrituras ; e a pregação formal era desconhecida. O primeiro lugar de adoração tinha sido o tabernáculo móvel, construido no ermo, sob a supervisão de Moisés em aprox. 1497 AC. Seguiu-se o templo de Salomão (1012-586 AC) e em seguida o templo de Zorobabel edificado em 516 AC que sobreviveu até que Herodes o desmantelou em 23 AC para erguer um novo. Na estrutura nova o templo foi completado em um ano e meio (22 AC) e os átrios oito anos depois. A estrutura completa foi finalizada só em 64 AD, seis anos depois seria totalmente destruida pelos romanos. A planta exata da construção não é conhecida entretanto muitas reconstituições foram tiradas de informação achada em Flávio José e no Talmud. A área que incluia um átrio externo era aproximadamente vinte e seis acres. Ela incluia um átrio dos gentios, um átrio das mulheres, um átrio dos judeus, um átrio dos sacerdotes e o templo propriamente dito. Esta edificação tinha sido o coração de toda a instituição, que continha o santo e o santo dos santos como no tabernáculo e nos dois templos que antecederam.

Ao entrar no templo de qualquer direção que se vinha a pessoa entrava no átrio dos gentios através de um pórtico sustentado por colunatas de mármore que circundavam a estrutura toda. O pórtico no lado sul chamado Pórtico Real era formado por quatro fileiras de colunas sólidas, enquanto que as dos outros três lados tinham apenas duas. A colunata do lado leste, encostada nos muros do lado leste da cidade era conhecida como Pórtico de Salomão (João 10:23, Atos 3:11; 5:12). A área que abrangida por esses pórticos era chamada tribunal dos gentios porque não-judeus podiam entrar nessa área e não mais além. Sem dúvida foi no átrio dos gentios que o mercado de animais para sacrifício funcionava onde também haviam os banqueiros que Jesus Cristo expulsou em duas ocasiões. Havia quatro portões para este recinto, do lado oeste, lado norte, lado leste e, segundo os estudiosos, do lado sul.

Dentro do tribunal dos gentios estava o recinto sagrado, acessado por nove portões - um do lado leste, quatro no lado norte e quatro no lado sul. O portão do lado leste levava ao tribunal das mulheres era a Porta Corintia mencionada nos Atos 3:2-10. Na entrada havia pilares com tábuas com a inscrição talhada que advertia os gentios proibindo a entrada sob pena de morte. No lado leste do sacred enclosure havia o átrio das mulheres num nivel de dezenove degraus acima do átrio dos gentios. Neste recinto estimado em um a três-quartos de acre havia a tesouraria e a câmara onde se aramazenavam vasos sagrados e paramentos do templo. Nesta área judeus homens e mulheres podiam entrar, entretanto o altar ou a Casa de Deus era o ponto mais avançado para o acesso das mulheres. A oeste do átrio das mulheres e em nível mais alto era o átrio dos israelitas. Diante do Portão entre os dois átrios, dentro do átrio das mulheres havia quinze degraus semi-cirulares. O átrio dos Israelitas, ou átrio dos homens era um pouco mais que um corredor contornando o átrio dos sacerdotes, do qual era separado por um muro baixo de pedra. No átrio dos sacerdotes havia um grande altar dos holocaustos e a grande bacia destinada às ablações dos sacerdotes.

Dentro do átrio dos sacerdotes no pico do monte Mória doze degraus acima estava a Casa de Deus o tempo propriamente dito. Consistia de três partes: o pórtico e as câmaras, que em conjunto rodeavam as outras duas partes, o santo acessado pelo pórtico e o santo dos santos, atrás do santo. As paredes incluindo as do pórtico, dizia-se, tinham 150 pés de altura. O santo continha mesas para os pães de proposição, candelabros de ouro e o altar dourado para incenso, igual ao do tabernáculo de Moisés. Mas não havia a arca da aliança no santo, pois esta provavelmente foi destruida no incêndio do Templo de Salomão em 586 AC. No santo dos santos do templo de Herodes ou o templo de Zorobabel, havia apenas uma placa de pedra na qual o sumo-sacerdote colocava o turíbulo e aspergia o sangue do pecado no dia do perdão uma vez por ano, única ocasião quando entrava neste recinto, que era separado do santo com uma cortina. Era esta cortina que se rasgou em dois quando Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz.

Sendo um lugar de adoração o templo era designado a cerimônias de sacrificio. Apenas em épocas de festividades as pessoas se reuniam nos átrios em número considerável sendo que nenhuma provisão de reserva se fazia para a adoração coletiva. Pessoas vinham para oração individual quando sentiam necessidade (Lucas 18:10) e grupos combinavam se reunir para oração (Atos 3:1). Os ensinamentos aconteciam no templo normalmente quando grupos se juntavam ao redor de um professor para fazer perguntas ou ouvir os ensinamentos (Lucas 20:1).

A sinagoga:

Nem tudo relativo a veneração acontecia no templo. Durante o período intertestamental a sinagoga se formou como uma instituição local onde judeus de cada comunidade vinham para orar, não com sacrifícios mas com orações, leitura e interpretação das leis e dos profetas. Nenhuma menção da sinagora é feita no Antigo Testamento, mas no tempo de Cristo havia uma em cada cidade da Palestina e em cidades estrangeiras - eram tantas quantas casa judias. Os diretores do templo eram os sacerdotes mas haviam também outras pessoas da sinagora que era o administrador, os anciãos e o atendente. O administrador organizava os serviços, ele designava o chefe para cada serviço e escolhia quem iria fazer a leitura das leis e aquele que iria ler os Profetas e aqueles que iriam recitar as interpretações das Escrituras. Os anciãos formavam o quadro de consultores que assistiam o administrador. O atendente combinava o trabalho de sacristão e professor e normalmente executava as decisões dos diretores. A ordem dos serviços parece ter sido: elogios, bençãos, leitura e interpretação da lei, leitura e interpretação dos Profetas, sermão e benção. As interpretações eram traduções estereotipadas das Escrituras hebraicas para o aramaico da época. Habitualmente eram dadas por um escriba se algum estivesse presente. Qualquer homem poderia ser chamado para ler as diversas partes das Escrituras ou um sermão ou exortação ou um homem podia pedir o privilégio de pregar. A benção normalmente era proferida por um sacerdote se algum estivesse presente. senão, por qualquer um. Nós sabemos disso através de Lucas 4:16 que Jesus Cristo estava acostumado a freqüencia regular na sinagoga de Nazaré e poderia ser solicitado a tomar parte na veneração.

Tempos de Adoração:

Os tempos importantes de adoração para os judeus do Antigo Testamento eram o sábado semanal e as festas anuais.

O sábado:

Nos tempos de Jesus Cristo e através do período intertestamental os judeus tinham profunda reverência pelo sábado como dia de adoração, especialmente na sinagoga. Moisés entregou ao povo de Israel leis bastante severas com relação ao dia de sábado (Exod. 20:6-11; 31:14-17; 35:2-3; Lev.23:3; Num 15:32-36), mas a enfase destas leis tinha sido no descanso ao invés de adoração. Na vida real parece que desde o estabelecimento nas terras de Canaã até o exilio de Babilonia o povo estava relaxado, ou até negligente na observância do sábado. Mas é bastante provável que durante o Exilio grupos se reuniam no dia de sábado para o estudo das Escrituras, canto dos salmos e oração. Após a volta do povo aos seus lares na Palestina as reformas de Nehemias re-enfatizaram o sábado como o dia de descanso (Neh.13:15-22) e com a instituição da sinagoga veio a ser um dia de adoração também.

Antes da vinda de Jesus Cristo muitos escribas ao enfatizar a lei do sábado chegaram a extremos como a proibição de carregar objetos e fazer qualquer esforço físico nos dias de sábado e que eles próprios não as cumpriam, usando expedientes ridículos. Um importante motivo de conflito entre Jesus Cristo e as autoridades da sinagoga foi que Jesus Cristo tinha omitido estas determinações de sábado, estabelecidas pelos escribas que, entretanto, não constavam das leis de Moisés.

As Festas:

Os judeus do Novo Testamento cumpriam muitas festas religiosas e períodos de jejum. Discutiremos aqui seis festas e um jejum. Quatro destas festas e o jejum tinham sua origem nas leis de Moisés. As outras festas tinham origem posterior.

A Festa da Páscoa Judaica:

(Exod. 12:1-20; Lev. 23:5-8; Num 28:12-25). Esta era a mais antiga das festas judaicas tendo seu início no Egito no tempo do êxodo. Celebrava a libertação da escravidão egípcia. As pessoas eram ordenadas a se encontrar cada ano na cidade do local central da adoração (tabernáculo ou templo) e repetir os procedimentos da última noite no Egito. Depois de se conferir que não havia nenhuma levedura na casa eles imolariam um cordeiro no décimo quarto dia do primeiro mês (Abib ou Nisan), assariam e o serviriam às pessoas acompanhado de pão ázimo e ervas amargas. Na época do Novo Testamento os judeus fizaram algumas mudanças nos detalhes na observância das festas. As pessoas comiam relaxadamente ao invés de apressadamente o que significava que não se encontravam mais em escravidão, eles passariam um copo de vinho à mesa em intervalos e cada um tomaria um gole, a tradição de aspergir-se com sangue os umbrais e o travessão da porta parece que deixou de ser usado, e eles cantariam trechos dos Salmos 113-118 durante e depois da refeição.

Como o dia para os judeus se iniciava no por do sol a refeição se fazia nas primeiras horas do décimo quinto dia do mês. A Festa do Pão Ázimo se seguia à Páscoa propriamente dita e durava oito dias durante os quais havia refeições sacras especiais e sacrifícios. O primeiro e o último dia eram convocações santas, independendo em que dia da semana iam cair. Às vezes o evento todo era considerado a Páscoa. A época desse evento era Março-Abril. Como Jesus Cristo foi crucificado no tempo da Páscoa e ressucitou no terceiro dia após, a Páscoa judaica e a Páscoa cristã que celebra a ressurreição, vem na mesma época do ano.

A Festa de Pentecostes:

(Lev.23:15-20 Num.28:26-31). Esta foi uma festa dos primeiros grãos, que chegam cinqüenta dias depois da Páscoa judaica. Tinha sido uma ação de graças pelas colheitas prontas para ceifar e a apresentação dos primeiros frutos para Nosso Senhor e para os sacerdotes. Às vezes é assim chamada a Festa das Semanas, porque chegou sete semanas depois da Páscoa judaica. A celebração era feita no tabernáculo ou templo e durava apenas um dia. Este dia também era o aniversário da entrega dos mandamentos de Deus no Monte Sinai. Para os cristãos é familiar pois neste dia o Espírito Santo mostrou seu poder sobre os dscípulos que formaram o nucleo da primeira igreja de Jerusalém (Atos 2:1).

Festa dos Trompetes:

(Lev. 23:23-25); Num.. 29:1-6). Toda vez que esta ocasião é mencionada na Bíblia, diz-se que era o primeiro dia do sétimo mês, mas desde longa data os judeus tinham observado como o Ano Novo (Rosh Hashanah). Provavelmente até mesmo antes do êxodo do Egito tinha sido celebrado como o início da primeira colheita do ano porque tinha chegado da colheita do ano anteror e antes da ceifa da colheita do vindouro. De acordo com o calendário civil era o início do ano mas de acordo com o calendário religiosos era o inicio da segunda metado do semestre. Era observado um dia de jejum em casa.

Dia do Arrependimento:

(Lev. 16:1-34; 23:26-32; Num 29:7-11).

Este dia, provavelmente o mais sagrado do ano para um judeu devoto, era observado no décimo dia do sétimo mês. As pessoas permaneciam em casa, fazendo abstinência de alimento por um dia inteiro (ocupados com confissão, arrependimento e oração) enquanto que o sumo-sacerdote oferecia sacrificios pelos pecados cometidos pelas pessoas durante o ano. Era o único dia do ano quando o sumo-sacerdote entrava no santo dos santos levando o sangue oferecido pelos pecados.

A Festa dos Tabernáculos

(Exod.23:16; Lev. 23:34-44; Num. 29:12-40; Deut. 16:13-15 cf.Neh.8:13-18).

Esta era uma festa de oito dias começando no décimo quinto dia do sétimo mês pelo calendário religioso. Assim as pessoas geralmente tinham o tempo suficiente para sairem de suas casas ao tabernáculo ou templo depois do Dia do Arrependimento. O propósito era duplo. Era um dia de ação de graças pela colheita já feita. Portanto as vezes era chamada de Festa da Colheita (Exod. 23:16; 34:22) Para essa festa eles levariam os dízimos da da colheita do ano anterior e o aumento do gado. Também celebrava a providência divina pelos israelitas durante os quarenta anos que vagaram no deserto. Havia três práticas durante a semana que comemoravam o zelo divino para com seus pais. Durante a semana as pessoas habitavam em barracas para imitar os seus pais que habitavam em suas tendas no ermo. (Lev. 23:40-43; Neh. 8:14-15) Grandes candelabros com muitas luzes eram colocados no átrio das mulheres na comemoração do pilar do fogo que guiou as pessoas no ermo da noite. No último dia um lança-águas tinha sido trazido do poço de Siloan pela multidão e despejadas as águas com grande cerimônia ao pé do altar no tribunal dos sacerdotes em comemoração à água que os israelitas receberam de Nosso Senhor que brotou da rocha(Exod. 17:5-6; Num. 20;11) O evagelhista João relatou a Festa dos Tabernáculos que Jesus Cristo tinha presenciado (ch.7).

As Escrituras

Os judeus do Novo Testamento, a determinação do próprio Cristo, viam o Antigo Testamento como a palavra de Deus (João 10:35). Neste tempo eles consideravam as suas Escrituras como compostas de três grupos de livros: a Lei, os cinco livros de Moisés, os Profetas, incluindo muitos livros de história bem como a maior parte dos livros de profecias; e as Escritas incluindo os Salmos e muitos outros do nosso Antigo Testamento (Lucas 24:44). Em suas mentes os livros vieram de Deus através de Moisés (João 7:19, 9:28-29). Moisés insistia que os Mandamentos e outras escritas deveriam ser recebidas e guardadas como vindas de Deus (Deut. 6:6, 31:9-13, 24-26) e pelo tempo do estabelecimento na terra de Canaã estes livros de Moisés eram vistos como as leis de Deus (Jsh.1:8, 8:32-36). Entretanto haviam grandes períodos de negligência da lei. No tempo da escravidão os judeus tinham permissão de levarem à Babilônia cópias das leis e outros livros preciosos - história e profecias e os Salmos e livros da sabedoria. Um novo interesse despertou para os estudos da lei durante o exilio na Babilônia. Neste tempo os judeus cativos, estando em terras estrangeiros e privados de seu templo e o sistema de sacrifícios se juntavam em grupos para estudo da lei, o canto dos salmos e orações (Ezek 8:1; Ps.137).

Esdra que viveu primeiro na Babilonia e depois em Jerusalém pouco antes de encerrar o Antigo Testamento, possivelmente ele teria juntado os livros do Antigo Testamento. Ele era de familia de sacerdotes e designou-se como o sacerdote-escriba (Esdra 7:1-6, 12). Quando ele migrou para Jerusalém ele despertou um vivo interesse para os estudos dos livros sacros, assim a partir daí as Escrituras passaram a ter principal influência entre os judeus.

Originalmente o Antigo Testamento tinha sido escrito em hebreu exceto em pequenos trechos de Jeremias, Daniel e Esdra que eram escritos em aramaico - uma língua muito semelhante ao hebreu. Em torno de 250 AC uma tradução para o grego foi feita em Alexandria (Egito) conhecida como Septuaginta porque o trabalho tendo sido escrito por 70 estudiosos. Essa tradução foi feita do texto hebreu que diferia ligeiramente em muitos pontos do texto aceito pelos escribas (texto masorético) mas a Septuaginta era de muita influência no Novo Testamento. Ao citar textos do Antigo Testamento Jesus Cristo e os apóstolos se referiam algumas vezes ao texto hebreu e outras vezes a Septuaginta isto por conta de algumas diferenças entre as citações do Novo Testamento e do Antigo Testamento e a forma que essas passagens são lidas no nosso Antigo Testamento.

Muitos judeus nos tempos de Cristo tinham dado à interpretação tradicional das leis pelos escribas tanta importância quanto a própria lei. Estas são referidas em Mat. 15:2 e Marcos 7:5 como a tradição dos anciãos. Esta tradição foi formada no terceiro século AD num texto chamado Mishnah. No fim do quarto século ganhou tamanho com mais outro material que formou a volumosa obra chamada Talmud que tem sido de autoridade para rabinos judeus até a presente data.

Os quatorze livros conhecidos como Apócrifos ou Deuterocanonicos eram livros existentes na época de Cristo. O primeiro Macabeus provávelmente expõe história autentica e descreve exemplos que inspiram lealdade corajosa à verdadeira religião; mas os outros livros desta coleção são de pouco valor histórico ou religioso. É possível que eles influênciaram até certo ponto o pensamento do povo da época do Novo Testamento. Os primeiros cristãos, apesar de permitirem a leitura desses livros pelo seu sentido de edificação considerava-os sem importancia no sentido canônico.

Seitas religiosas

e classes do povo

Alguns dos grupos influentes ou partidos do povo mencionados nos evangelhos eram: os sacerdotes, os escribas, os fariseus, os saduceus, os herodianos, os publicanos e os samaritanos. Além desses havia os essenos e outros grupos similares, que não são mencionados na Bíblia, mas que são considerados pelos estudiosos da Bíblia como de influência para o povo durante o tempo do Novo Testamento.

Os Sacerdotes:

No início da história de Israel como nação Aarão, irmão de Moisés, da tribo de Levi, foi nomeado sumo-sacerdote, e seus filhos nomeados sacerdotes junto com ele. Depois disso os sumo-sacerdotes e sacerdotes passaram a ter caráter hereditário na família de Aarão. Com o tempo se tornaram tão numerosos que nos tempos de David eles eram agrupados em vinte e quatro cursos (I Chron. 23:1-10). Sem favor especial o sacerdote poderia servir sómente algumas vezes na vida dele, e muitos que eram de familias de sacerdotes nunca tinham oportunidade de servir. Fora suas funções no templo, sem dúvida a linhagem dos sacerdotes era contemplada com honra e dignidade. Nos tempos do Antigo Testamento a consagração para sumo-sacerdote normalmente era designada a ser vitalícia porém no período intertestamental quando sujeitos ao poder de estrangeiros, a designação dos sumo-sacerdotes passou a ser feita pelos estrangeiros. Durante a época dos Macabeus os sumo-sacerdotes tinham poder político significativo e depois que os romanos tomaram o poder eles reteram considerável poder como o ex-oficio, presidente do Sinédrio. Consequentemente os governantes romanos se apropriaram da autoridade para designar ou destronar os sumo-sacerdotes. Um sumo-sacerdote muitas vezes perdia favores do governante romano e era substituido por outro depois de servir por um curto periodo. Nos Evangelhos é freqüentemente mencionado o chefe dos sacerdotes que eram membros do Sanhedrin. O Sanhedrin era formado pelo sumo-sacerdote da época ou qualquer que tivesse ocupado o lugar de sumo-sacerdote e também os chefes dos vinte e quatro cursos de sacerdotes.

Os escribas:

Provavelmente era a classe que surgiu primeiro durante o exilio na Babilônia (Ezra 7:6). No início eles eram os copiadores profissionais que transcreviam a lei para aqueles que a desejavam. Considerando que assim eles teriam em pouco tempo muito maior conhecimento da lei do que qualquer outra pessoa, em breve eles se tornaram professores e seus intérpretes. Dentre eles vieram os advogados e rabinos profissionais. Os mais letrados dentre eles eram doutores da lei. A tradição dos anciãos, tão bem conceituada pelos fariseus, era composta na maior parte por interpretações da lei feita pelos escribas letrados.

Os fariseus:

Sem dúvida era o grupo de maior influência das seitas religiosas dos tempos de Cristo. As raizes de algumas de suas práticas podem ser vistas nas reformas e orações de Nehemias (Neh.13:14) porém tiveram seu início como um grupo em luta contra os pagãos gregos nos tempos de Matatias e Judas Macabeu. No início eram chamados Chasidim (Separatistas) por causa de sua determinação em resguardar-se (e resguardar a nação) o quanto possível, da contaminação pelas influências estrangeiras. Durante os tempos de Cristo a característica que os distinguia tinha sido a importância que davam no cumprimento da lei. Queriam o mérito para si pelo cumprimento das leis e desejavam submeter até o próprio Deus às suas leis e a sí próprios (fariseus).

Eles consideravam as intepretações dos escribas (a tradição dos anciãos) tão importantes quanto a própria Lei escrita. Eles se consideravam justos (e por isso os outros também os consideravam assim) e julgavam os outros com muita crítica. Aqueles que desrespeitavam seus preceitos e padrões eram chamados de pecadores. Eles acreditavam na existência de anjos, na vida pós morte e na futura ressurreição dos injustos e dos justos. Em geral, eles eram a parte conservadora do judaismo.

Os Saduceus:

Os saduceus tinham seus preceitos opostos aos dos fariseus. Na maior parte eram sacerdotes desejosos de ceder os principios judeus em troca de favores de governantes estrangeiros. Provavelmente começaram a serem vistos como uma classe separada durante o final do periodo grego. O nome vem de Zadok, o sacerdote que era leal a David e Salomão quando Abiater, o outro sacerdote, se debandou para Adonias (I Rei 1:32-34). Sua doutrina e características eram: não aceitavam a existencia dos anjos, a imortalidade da alma, e qualquer idéia de ressurreição. Rejeitavam a tradição dos anciãos e a tradição oral e aceitavam tão somente a escrita do Antigo Testamento. Eram rígidos no julgamento e não tinham popularidade entre o povo.

Os publicanos:

Quando os romanos conquistaram a Judéia e anexaram-na como parte do Império, eles impuseram o povo o pagamento de impostos. Os publicanos eram judeus que recolhiam estes impostos para os romanos. Normalmente e cobrança de impostos era um emprego lucrativo, porque os coletores pagavam um valor estipulado aos romanos e arrecadavam do povo o que bem desejavam ou podiam. Eram odiados pelo povo, geralmente porque recolhiam impostos para conquistadores estrangeiros e freqüentemente extorquiam do povo mais do que era devido e consequentemente enriqueciam. É claro que os publicanos não intencionavam obedecer à lei judaica e costumavam ser classificados como pecadores. Jesus Cristo foi chamado de amigo dos publicanos porque desejava receber aqueles que vinham a Ele e aceitar a hospitalidade daqueles que convidavam-No a entrar em suas casas mas é claro não os redimia de culpa pela sua extorção.

Os samaritanos:

Eram de uma raça miscigenada. Eram descendentes dos israelitas do reino ao norte que foram deixados no pais quando o norte de Israel foi tomado pelos assírios e também de estrangeiros que migraram nos arredores da Samária. Eles adoravam Javé mas na sua adoração eles introduziam muitas influências pagãs. Durante a época persa eles construiram um templo no monte Gerzim, no qual seus sacerdotes serviram por aprox. 275 anos. Esse templo foi destruido por João Hircano (121 AC) e nunca foi reconstruido, mas os samaritanos continuaram a adoração no monte Gerzim e arredores. Os judeus os desprezavam por causa da impureza de sua raça e também pela facilidade que eles faziam acordos religiosos com os gregos e outros estrangeiros Eles existem até hoje mas o seu número se restringe a algumas centenas. Eles tem posse de um manuscrito muito antigo dos livros de Moisés que tem muito valor nos estudos do Antigo Testamento.

Os essenos:

Flávio José o historiador, e Filo, o filósofo, registram a respeito de uma seita conhecida como essenos que viveram durante o primeiro século. Esse povo não é mencionado na Bíblia. Alguns deles viviam em grupos ou quartéis em muitas das cidades e aldeias sobre os quais diziam que viviam como monges, isolados na costa oeste do Mar Morto, supostamente perto da cidade de Engedi. Em alguns aspectos os ensinamentos desse povo se assemelhava aqueles dos fariseus, porém eles renunciavam a riqueza mundana e seguiam um padrão rígido de uma vida santa. Não praticavam sacrifício animal mas ofertavam outros bens ao templo em Jerusalém. Na sua maioria renunciavam ao matrimonio e quaisquer atividades relativas ao prazer. Novos membros que ingressassem eram postos à prova de rigores por três anos durante os quais, a certos intervalos, conhecimentos secretos eram impostos. Na realidade, em alguns aspectos, se assemelhavam a uma ordem secreta.

O interesse por esse povo foi reavivado com a descoberta dos pergaminhos do Mar Morto em 1947 e mais tarde, que desvendou a existencia de mais um grupo similar que viveu em Qumran, à distância considerável de Engedi mas ainda próximo ao Mar Morto. Alguns estudiosos afirmam que estes é que eram os essenos e que Qumran era o lugar de sua moradia e não Engedi. Mas os costumes e ensinamentos deste grupo diferem consideravelmente daqueles relatados por Flávio José e Filo. Alguns estudiosos sustentam que João Batista era da influência destes grupos. Mas esse ponto de vista não é muito convincente, para o autor algumas conclusões sugeridas parecem ser arbitrárias e não relacionadas a essa evidência.

O Sinédrio:

Uma menção repetida no original grego do Novo Testamento, fala de um grande conselho ou corte composta de sumo-sacerdotes, anciãos e escribas. Este conselho não é comentado no Antigo Testamento; provavelmente teve início durante o período intertestamental, possivelmente na época dos Macabeus. Incluia setenta e um membros escolhidos dos três grupos mais influenciáveis entre o povo. O sumo-sacerdote sempre era um dos seus dois presidentes. O lugar de reunião não é conhecido; o Talmud indica que era o Corredor de Pedra Cortada no templo mas Josefo menciona o local de encontro como fora do templo. O grupo incluia saduceus e fariseus.

Durante o Novo Testamento o grupo tinha autoridade em assuntos religiosos e a maior parte dos assuntos civis e uma pequena autoridade em assuntos criminais. Em casos de pena de morte, aprovação de um procurador romano ou governador o grupo era solicitado antes da execução da sentença. Normalmente não havia seções à noite ou no dia de sábado. Uma sentença de morte não poderia ser executada no mesmo dia do julgamento. A decisão dos juizes tinha que ser examinada no dia seguinte.

A Esperança Messianica

Muitas profecias sobre a vinda do Messias ou Cristo são encontradas no antigo Testamento. Às vezes as profecias são obscuras mas compreensíveis para nós quando as analisamos com o enfoque do Novo Testamento como por exemplo em Gen. 3:15, onde se diz que "sua descendência te esmagará a cabeça e tu lhe ferrarás o calcanhar," mas em muitas outras a promessa está clara e certa. Um grande numero de profecias promete um reino glorioso presidido pelo Rei enviado de Deus que libertaria Seu povo dos inimigos e reinaria em retidão; e repetidamente foi predito que este rei seria da linhagem de David (Ps. 89:3-4; Isa. 11:1-10; Jer. 23:5-6). Os judeus do período intertestamental sofrendo por causa dos maus governantes e opressão dos gregos e romanos, encontram conforto e inspiração na antecipação do prometido Rei e Seu Reino, e muitos dos escribas se dedicaram a um estudo aprofundado dessas profecias. Como resultado desse estudo alguns dos escribas delinearam um mapa da idade messianica. De Mateus 16:14 e João 1:21, é evidente que os seus estudos incluiam o aparecimento de um profeta do Antigo Testamento, o reaparecimento do profeta Elias e o aparecimento do Messias.

Antes do tempo de Jesus Cristo muitos falsos messias surgiram (Atos 5:36-37), que enquanto atraindo multidões de seguidores chegavam a um fim desastroso. Os escribas podiam prontamente informar a Herodes que Cristo iria nascer em Belém (Mat. 2:5-6) e sem hesitar responderam a Jesus que o Cristo seria um descendente de David (Mat. 22:42). No tempo da pregação de João Batista o povo se encontrava na expectativa (Lucas 3:25) compartilhada até pelos samaritanos. Havia muitos piedosos que esperavam pela redenção do povo de Deus e notadamente Zacarias, pai de João Batista, Simão e Anna (Lucas 2:25-38) e José de Arimatéia (Lucas 23:52).

Além dessas profecias que prometeram um Messias Real (da palavra Rei) há outras (Ps. 22:1-21; Isa.53, e outros) que retrataram um sofredor que carregaria os pecados do mundo. Os cristãos reconheceram com convicção este sofredor como o Cristo, prometido para ser Rei e Salvador. Também vale a pena notar que Ps 22:22-31, Ps.110:2-3 e Isa 53:10 sugere um Reino espiritual em contraste com o glorioso Reino retratado em outras profecias. Mas os fariseus que se designavam como os justos e os saduceus voltados à política não reconheceram Jesus como o cumprimento de suas tão acalentadas esperanças das profecias messianicas. De comum acordo eles O condenaram à morte e sem saber, fizeram concretizar-se as profecias sobre o Messias. Mas os cristãos reconheceram Jesus de Nazaré como o cumprimento de todas as profecias messianicas - eles confiaram Nele como o Salvador, eles reconheceram-No como o Senhor espiritual e Rei de suas vidas.

Ensinamentos

Selecionados do Salvador

Amor:

Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de tôda a tua alma, de todo o teu entendimento e de tôda a tua fôrça.... amarás o teu proximo como a ti mesmo (Marcos 12:28-34). Misericórdia quero, e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e, sim, pecadores (ao arrependimento; Mateus 9:13). Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros (João 13:35). Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos (João 15:13, veja também Mateus 5:42-48, João 13:34-35).

Arrependimento:

Arrependei-vos porque está próximo o reino dos céus! (Mateus 3:2). Ide porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não holocaustos, pois não vim chamar justos e sim percadores (ao arrependimento) (Mateus 9:13). Todo o que comete pecado é escravo do pecado.(João 8:34-37). Se porém não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis (Lucas 13:3-5 também Mateus 4:17, João 5:14, Lucas 7:47, Lucas 13:1-5, Mateus 18:11-14, a parábola da ovelha perdida, Lucas 15:11-32, a parábola do filho pródigo, Lucas 18:9-14, a parábola do publicano e fariseu).

Boas ações:

Tudo quanto, pois quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profetas (Mateus 7:12). Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus (Mateus 5:16); E quem der a beber ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão" (Mateus 10:42). Também veja Lucas 19:11-27, Mateus 25:31-46, Lucas 10:25-37, parábola do bom samaritano, também a parábola da figueira sem frutos, Lucas 13:6-9.

Caminho-estreito:

Entrai pela porta estreita (larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para a perdição e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta e apertado o caminho que o conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela (Mateus 7:13-14). Desde os dias de João Batista até agora o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele (Mateus 11:12). E quem não toma a sua cruz e vem após mim, não é digno de mim (Mateus 10:38, também Lucas 13:22-30, Marcos 8:34-38, Lucas 14:25-27, João 12:25-26).

Caridade:

Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me deste de comer tive sede e me deste de beber, era forasteiro e me hospedastes, estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me (Mat. 25:34-36; e também Lucas 21:1-4).

Castidade e fidelidade conjugal:

(Mat. 5:27-32; 19:3-12) Ouvistes que foi dito: Não adulterarás, Eu, porém, vos digo: Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela.

Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. E se tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti, pois te convém que se perca um dos teus membros e não vá todo o teu corpo para o inferno. Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, de-lhe carta de divórcio; Eu, porém vos digo: Qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada, comete adultério.

Vieram a Ele alguns fariseus, e O experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? Então respondeu Ele: Não tendes lido que o Criador desde o princípio os fez homem e mulher, e que disse: por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separa o homem. Replicara-lhe: Por que mandou então Moisés dar carta de divórcio e repudiar? Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; entretanto, não foi assim desde o princípio. Eu, porém vos digo: Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra, comete adultério (e o que casar com a repudiada comete adultério) Disseram-lhe os discípulos: se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher não convém casar. Jesus, porém lhes respondeu: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado. Porque há eunucos de nascença, há outros a quem os homens fizeram tais, e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir, admita.

Santa Comunhão:

Quem comer a minha carne e beber o meu sangue, permanece em mim e eu nele.Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitareí no último dia (João 6:27-58; Lucas 22:15-20).

Coragem:

Estai de sobreviso, vigiai (e orai) porque não sabeis quando será o tempo. É como se um homem que, ausentando-se do país, deixa a sua casa, dá autoridade aos seus servos, a cada um a sua obrigação, e ao porteiro ordena que vigie. Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã.; para que, vindo ele inesperadamente, não vos ache dormindo (Marcos 13:33-37; veja também Lucas 11:24-26 e 21:34-36 e Mateus 8:28-33).

Fé:

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele cre não pareca, mas tenha a vida eterna (João 3:16). Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes tudo é possível ao que crê (Marcos 9:23) Disse-lhes Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram (João 20:29, também veja Mateus 16:17, Lucas 17:5-10 Marcos 16:16).

Fé em Deus:

Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto nenhum deles está em esquecimento diante de Deus. Até os cabelos da vossa cabeça todos estão contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais. (Lucas 12:6-7). Não se turbe o vosso coração, credes em Deus, crede também em mim. (João 14:1) Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus (Lucas 18:27). Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido (Lucas 19:10).

A graça do Espírito Santo:

O que é nascido da carne, é carne; o que nascido do Espírito, é espírito (João 3:6). Afirmou-lhe Jesus: quem beber desta água tornará a ter sêde; aquele, porém que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sêde para sempre; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.

(João 4:13-14). Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? (Lucas 11-13). Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas que hão de vir (João 16:13, veja também 7:37-39 e 14:15-21 e 16:13, também Marcos 4:26-29 a parábola da semente; Mateus 13:31-32, a parábola do grão de mostarda; Mateus 25:1-13, a parábola das dez virgens.

Gratidão:

Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?Não houve porventura quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? Levanta-te e vai, a tua fé te salvou. (a história dos dez leprosos, Lucas, 17:11-19).

Humildade:

Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus (Mateus 5:3). Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado (Lucas 14:11). Pois todo o que se exalta será humilhado e o que se humilha ser exaltado (Lucas 14:11). Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas (Mateus 11:29). Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva (Mateus 20:26, veja também Lucas 10:21, Lucas 18:9-14, Marcos 10:42-45, João 13:4-17, Mateus 20:1-16, a parábola dos trabalhadores na vinha).

Jejum:

Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum (Mateus 17:21; também veja Marcos 2:19-22, Mateus 6:16-18, Marcos 9:29).

Não-julgamento:

Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que tiverdes medido vos medirão também (Mateus 7:1-2).

Oração:

Pedi, e dar-se-vos-á, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á, pois todo o que pede recebe, o que busca, encontra e a quem bate, abri-se-lhe-á (Mateus 7:7-11). E tudo que quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis (Mateus 21:22). Mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque são estes que o Pai procura para seus adoradores, Deus é espírito, e importa que os seus adoradores o adorem em espírito em verdade (João 4:23-24). Veja também Mateus 6:5-15, Mateus 18:19-20, Marcos 11:23, João 16:23-27, Marcos 14:38, Lucas 11:9-10, Lucas 18:1-8, a parábola do juiz injusto.

Paciência:

É na vossa perseverança que ganhareis as vossas almas (Lucas 21:19). Sereis odiados de todos por causa do meu nome, aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo (Mateus 10:22), A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retem a palavra, estes frutificam com perseverança (Lucas 8:15); ...disse, porém Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente os males, agora porém, aquele, ele está consolado, tu, em tormentos (Lucas 16:19-31, a parábola do rico e Lázaro.).

Palavra:

Como podeis falar coisas boas, sendo maus? porque a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom tira do tesouro bom coisas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira coisas más, digo-vos que de toda palavra frivola que proferirem os homens, dela darão conta no dia de juizo; porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado (Mateus, 12:34-37, Mateus 5:22).

Preocupações terrenas:

Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e tôdas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mateus 6:19-34) Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? ou que dará o homem em troca da sua alma? (Mateus 16:26). Filhos, quão difícil é (para os que confiam nas riquezas) entrar no reino de Deus! (Marcos 10:24, veja também Lucas 10:41-42, Marcos 10:17-27, Lucas 12:13-21 parábola reprovando o rico avarento).

Prudência:

Vêde que ninguém vos engane (Mateus 24:4), veja também Lucas 14:28-33, Lucas 16:1-13 a parábola do administrador infiel.

Pureza de coração:

Bem-aventurados os limpos de coração porque verão a Deus (Mateus 5:8). Porque do coração procedem maus designios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem, mas o comer sem lavar as mãos não o contamina (Mateus 15:19-20). São os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra, estes frutificam com perserverança (Lucas 8:15). Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado(João 15:3, Marcos 7:15-23).

Reconciliação e Perdão:

Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará (Mateus 6:14). Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. (Mateus 18:22, veja também Mateus 5:23-26, Lucas 23:34, Mateus 18:23-35; a parábola do credor incompassivo.

Regozijo em Deus ou Exaltação em Deus:

Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus, pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós (Mateus 5:12). Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mateus 11:28-30). Eu lhes dou a vida eterna, jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão (João 10:28). Assim também agora vós tendes tristeza, mas outra vez vos verei, o vosso coração se alegrará e a vossa alegria ninguém poderá tirar (João 16:22).

Retidão:

Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça porque serão fartos (Mateus 5:6). Então os justos resplandecerão como o sol,, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos (para ouvir) ouça. Portanto sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celestial (Mateus 5:48).

Tentações:

E se tua mão te faz tropeçar corta-a pois é melhor entrares maneta na vida do que tendo as duas mãos ires para o inferno, para o fogo inextinguivel (Marcos 9:43-49). Aí do mundo, por causa dos escândalos, porque é inevitável que venham escandalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo (Mateus 18:7, Lucas 17:1-2).

Unidade:

Então haverá um rebanho e um pastor (João 10:16). A fim de que todos sejam um e como és tu, o Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós para que o mundo crea que tu me enviaste (João 17:21). Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles (Mateus 18:20).

Verdade:

Então lhe disse Pilatos Logo tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. (João 18:37 também veja Mateus 13:44-46, a parábola do tesouro).

Virtudes:

O desenvolvimento de boas qualidades foi o ensinamento constante de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por exemplo Seu Sermão da Montanha (Mateus cap. 5-7) e as Bem-aventuranças nas quais é traçado o caminho para o total cumprimento (ou realização?). A parábola do semeador (Mateus 13:3-23) e especialmente na parábola dos talentos (Mateus 25:14-30) mostra-se a importância do desenvolvimento das abilidades que nos são dadas por Deus. A combinação dos dons agraciados com o desenvolvimento das abilidades (talentos) compõe a riqueza básica do homem. É por isso que se diz que "o reino de Deus está dentro em vós" (Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: ei-lo aqui! ou: Lá está! porque o reino de Deus está dentro em vós (Lucas 17:21).

Vontade de Deus:

Faça-se a tua vontade assim na terra como no céu (Mateus 6:10). Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus (Mateus 7:21).

Oração ao preparo

da leitura dos Evangelhos

Faça reluzir em nossos corações, Ó Mestre, que amas a humanidade, a luz incorrupta de seu divino conhecimento, e abra os olhos da nossa mente para a compreensão dos ensinamentos de Seu Evangelho. Implante em nós o temor pelos teus abençoados mandamentos que desprezando todos os desejos carnais, nós possamos buscar um modo de vida espiritual, pensando e fazendo o que é da Sua vontade. Pois Tu és a luz das nossas almas e do nosso corpo, Ó Cristo Deus, e a Ti elevamos a glória, junto com o Teu Pai que é eterno e o seu Santo e bom e criador da vida - Espírito Santo agora e sempre pelos séculos dos séculos Amém.

Fonte: Bishop Alexander (Mileant)

 

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